Se alguém pedisse para definir a história do Corinthians em uma palavra, escolheria “sofrida”. Não no sentido de tristeza, mas para lembrar a raça, a garra e que nada é fácil para os fiés corinthianos.
Foram sofridos os 23 anos sem títulos até 1977. Foi sofrida a queda para a série B. Foram sofridos seus 110 anos sem estádio. E foram sofridas todas as outras derrotas, dentro ou fora de casa, justas ou injustas, momentos que a torcida corinthiana abaixou a cabeça e tirou do fundo da garganta um improvável grito de timão.
As vitórias não foram diferentes. Foi sofrido o mesmo título de paulista de 1977, com o gol do Basílio aos 36 do segundo tempo, tirando o time da maior fila de sua história. Foi sofrido o título mundial em cima do Vasco, com a vitória nos penaltis. Foi sofrido qualquer um dos inúmeros títulos do Sport Club Corinthians.
Esse ano foi especialmente sofrido. Depois do centenário sem títulos, veio a esperança com 2011. Sofrendo muito, o clube foi o primeiro brasileiro da história, a ser eliminado na pré-Libertadores, derrotado pelo modesto Tolima.
Sofrendo, o clube foi vice do campeonato paulista para o Santos de Neymar e dessa forma voltou sua atenção para a única competição restante, o campeonato brasileiro.
Nove vitórias em dez jogos, mais de 90% de aproveitamento, título fácil? Isso não é Corinthians. Com aquele toque típico, o clube entrou em crise. Os resultados pararam de vir e outras equipes entraram na disputa de um campeonato que parecia ganho no início.
O Brasileirão afunilou e o sofrimento passou a ser marca de todas as rodadas. Foi assim na vitória de virada contra o Avaí. Também foi dura a derrota para o então lanterna América-MG, tomando um gol aos 40 do segundo tempo.
E na base da garra, do sofrimento, o Corinthians havia conseguido uma vitória fantástica contra o Atlético-MG no primeiro turno. Em Minas, o Galo ganhava por 2 a 0 e tomou a virada por 3 a 2, mais 3 pontos tipicamente corinthianos.
Hoje, de novo no último minuto, no último suor, no último grito da torcida. De novo Coritnhians e mais um passo rumo ao título brasileiro.
Tem uma brincadeira entre torcedores que é imaginar a vitória da forma mais bizarra possível. Alguns falam em gol do goleiro, outros em gol de bicicleta do zagueiro. Na atual fase, acho provável algum “ vidente brincalhão” ter sentenciado “ gol do Adriano aos 45 do segundo tempo de virada”.
Foi exatamente assim. Virada, 2 a 1, sofrido, brigado, Corinthians.
Não importa se joga melhor, se é mais regular, se tem melhor ataque ou melhor defesa ou se é o mais bem preparado. O que vale é que sofrendo, batalha por batalha, o Corinthians vai chegando mais perto de um título com a sua cara.
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