domingo, 29 de janeiro de 2012

Que pena do esporte!


Hoje, eu senti pena do esporte. 
Sim, pena. Djokovic e Nadal fizeram uma partida inimaginável, surreal. Cinco horas e cinquenta e três minutos de batalha, cinco horas e cinquenta e três minutos de aula de tênis, cinco horas e cinquenta e três minutos de superação dos limites humanos.
Porém, tadinho do esporte. Ele não sabe reconhecer isso. Para ele, os méritos se dividem em campeões e vices.
Nós, não. Nós apreciamos tudo que uma final como essa tem para oferecer. Damos valor a lição de vida, aos sentimentos, aos ensinamentos e tudo de especial que Djoko e Nadal nos proporcionaram hoje.
E para não esquecer, apreciamos também uma das melhores partidas de tênis da história.
Um jogo como o de hoje não se trata só de slices, winners ou saques. Falar que foi um jogaço, a final mais longa de Grand Slam ou que os dois jogadores são fantásticos, é mais do mesmo.
Falar que o Djokovic ganhou porque se encontra hoje ligeiramente acima do Nadal, é coisa para o esporte fazer. Ele se preocupa com isso. Que pena dele.
Para nós não há perdedores. 
Não há dúvidas de que o Djoko mereceu ganhar. Mas o Nadal mereceu perder?
Todo mundo saiu vitorioso hoje: os atletas, nós que vimos em casa, o público na arena, os jornalistas, os que trabalhavam na organização do campeonato, todos!
Se achar que é injustiça com o Nole, o colocar no mesmo patamar que o Nadal, afinal ele ganhou nesse critério triste do esporte, que faça o Nadal campeão e o Djokovic um supercampeão.
Nada mais justo para o Super Nole.
Ah, mas na realidade o Nadal foi vice e o Djoko campeão.
Foi? É isso?
Talvez seja assim para o esporte. Para nós não.
Tivemos um supercampeão e um campeão. Dois guerreiros. Dois ídolos, Dois monstros da vida, acima do tênis.
O esporte não consegue ver isso. Só vê vitórias e derrotas. Tadinho dele!
Supercampeão, SuperNole

ARMANDO NOGUEIRA- MARACANÃ

MARACANÃ
Revejo, com saudade,
as bandeiras das tuas batalhas repartidas sobre o campo.
Revejo, com saudade,
a tua multidão que torce e distorce a verdade até morrer,
doa a quem doer.
Revejo, com saudade, as esperanças que se perdiam pela linha de fundo
no entardecer de cada jogo.
Quantas vezes foste a minha pátria amada, idolatrada,
salve, salve a seleção!
Quantas vezes a minha alma escapava de mim
e, sem que o árbitro notasse, aparecia na pequena área,
providencial, para fazer o gol da vitória.
Perdi a conta dos gols
que fiz com pés que nunca foram meus.
Saudade de certa lágrima de vitória
que, um dia, vi brilhar no rosto quase meu de uma criança.
Maracanã.
És a fantasia da paixão
que aproxima e divide:
louvor e blasfemia,
alegria e desdita.
És o gol de Gigghia,
celebrado com um minuto de silêncio à soberba nacional.
És o ignorado herói de uma tarde
cujo gol restou sem data
como se nunca houvera sido feito.
És gol de placa
que ninguém sabe ao certo como nasceu
mas que o tempo
vem tratando de fazé-lo cada dia mais bonito.
Gol de fábula.
És o craque que passa, sem pressa,
tecendo a promessa de gol com a bola nos pés
e os olhos na linha do horizonte.
És Gérson e Jair da Rosa Pinto
que tinham no pé esquerdo o rigor da fita métrica.
És Nilton Santos, futebol de fino trato,
na majestade e no saber.
És Zizinho, que conhecia, como ninguém,
todos os atalhos da tua geometria.
És Zico que driblava triscando a grama,
suave como uma pluma.
És a "folha-seca" de Didi,
fidalgo de rara nobreza
que tratava a bola como se trata uma flor.
És Ademir Menezes correndo, olímpico,
pelos indizíveis caminhos do gol.
És Carlos Castilho, santo goleiro
que fazia milagres pelos confins da pequena área.
És Pelé,
cujos gols eram tramados na véspera
(ele trazia de casa as traves e a bola do jogo).
És Garrincha que dobrava as esquinas da área
driblando Deus-e-o-Mundo
com a bola jovial da nossa infância.
Quanta saudade
daquele drible pela direita
que alegrava as minhas jovens tardes de domingo.
És, enfim, a vitória e a derrota,
caprichosa imitação da minha vida.
E porque és uma parte da minha memória,
seguirei cantando, comigo, a melodia de teu doce nome:
Maracanã, Maracanã.

Armando Nogueira 

O real adversário

Barcelona ganhou 5 títulos em 2011


Todo mundo sabe que o Barcelona é a melhor equipe do mundo. Todo mundo também sabe que o Real Madrid é o clube que mais se aproxima do futebol do Barça.
Apesar de ser o segundo melhor time, o Real vem passando por uma freguesia complicada para o seu maior rival, e disso todo mundo sabe também.
Se o Barcelona está muito acima de todos e dá pancada atrás de pancada no Real, como que o clube de Madrid já abriu 7 pontos de vantagem no Campeonato Espanhol?
Aí é que entra o verdadeiro adversário dos catalães e o maior pesadelo do Pep Guardiola: como enfrentar a desmotivação, comum e previsível, quando a equipe é MUITO melhor do que todas as outras durante um longo período de tempo.
Enquanto o Real Madrid, todo jogo coloca a vida em campo, o Barça vem pontualmente sofrendo com a falta de foco em alguns jogos. Principalmente quando os adversários são as fracas equipes da Liga Espanhola.
Isso não é uma crítica ao Barcelona. Essa desmotivação em algumas partidas, ainda mais as mais fáceis, é totalmente natural.
A maioria das grandes equipes da história enfrentaram esse problema, até mesmo as que tiveram rendimento muito abaixo do Barcelona.
Com 13 títulos nos últimos 16 campeonatos, todo mundo queria saber quando ia chegar esse momento, em que o Barça ia abaixar a guarda e abrir uma brecha para os adversários chegarem. E é nessa chance que o Real está acreditando.
Esse Barcelona faz parte de um dos melhores grupos de todos os tempos. Como não entrar em campo, em uma partida contra um Levante da vida, achando que vai ganhar fácil? Até porque, na maioria das vezes, não só ganha fácil, como massacra.
Quando o jogo é difícil, cercado de expectativa, entra em campo o verdadeiro e motivado Barcelona, ligado no confronto o tempo todo. Aí é show em cima do Manchester United, Real Madrid ( várias vezes), Santos e contra qualquer outro time que apareça pela frente.
Agora, quando a partida é mole, contra as famosas “ babas”, acabam ocorrendo alguns tropeços como contra o Espanyol, Real Sociedad e o de ontem, contra o Villareal, que briga para não cair no Espanhol.
Messi lamenta gol perdido ontem

Foi assim até contra o Real Madrid. De todos os clássicos recentes, o do meio da semana era o que parecia mais fácil. Crise interna no Real, Barça tinha ganho no Bernabeu e já não perdi para o rival, no Camp Nou, há quatros anos. 
Jogo mole? Muito longe disso. Foi, sem dúvidas, a partida mais difícil do Barça nos últimos anos, uma das poucas em que jogou pior do que o adversário.
Talvez em um torneio mata-mata como Champions, Mundial ou a Copa do Rei, ainda seja quase impossível ganhar do Barcelona. Porém, em um torneio longo como o Espanhol, o pesadelo do Guardiola começa a ganhar força e o título vai ficando próximo do Real Madrid.
Finalmente um adversário capaz de tirar um título importante do Barcelona.
Como vencer a desmotivação de uma das equipes mais vencedoras da história?

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Já foi dito

Há 6 dias foi dito o óbvio sobre o Luxemburgo: não saia por causa da multa contratual.

Agora o globoesporte.com
http://globoesporte.globo.com/futebol/times/flamengo/noticia/2012/01/sem-tolerar-luxemburgo-flamengo-estuda-forma-de-demiti-lo.html

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Espelho do campeonato

A última partida da Copinha conseguiu ser exatamente o espelho do Campeonato. 
Apesar de 3 ou 4 jogadores interessantes, ficou claro o que todo mundo sabia: o importante é ser campeão e não, revelar bons jogadores.
Uma final de um torneio como esse, era para ter 2 times repleto de meninos talentosos, afinal, é o principal campeonato de divisões de base do Brasil. Além disso, ninguém duvida de que Fluminense e Corinthians foram, de longe, as melhores equipes do Campeonato.
E aí está a parte triste: foram tão superiores no Campeonato não por terem elencos brilhantes técnicamente, mas por serem infinitamente mais bem armados e terem mais força física do que as outras equipes.
Mesmo com os problemas táticos que cada um demonstro no jogo de hoje, eles continuam sendo equipes muito mais bem preparadas do que todas as outras que estiveram na Copinha.
O Corinthians corre um absurdo. Com ou sem bola, todos os jogadores se entregam muito, aparecendo para o jogo e marcando o adversário sobre pressão, para matar a jogada antes dela chegar aos meias. Porém, em compensação dessa marcação no campo de ataque, deixa o meio totalmente livre, e foi disso que o tricolor se aproveito.
O Fluminense jogou todo atrás, saindo nos contra-ataques, explorando os erros e o espaço vazio imenso entre a defesa e o ataque  do Corinthians. O tricolor foi muito melhor e teve várias chances de matar a partida.
Foi muito melhor e perdeu? Sim.
Assim como o Flu foi melhor por saber aproveitar os erros do adversário, o Corinthians fez o mesmo, e se deu bem em cima do péssimo posicionamento da defesa do Fluminense. Dois gols de cabeça em cobranças de escanteio. Virada e o título.
E foi assim a final da Copinha. Um jogo tático, em que cada equipe se aproveitou dos erros do outro e os 3 gols surgiram de jogadas burocráticas. Os 2 do Coritnhians em bola parada. O do Fluminense em um erro bisonho do goleiro alvinego.
Nada de talento. Nada de grande jogada. Nada de diferente.
No Fluminense, pelo menos Higor e, principalmente, Marcos Júnior conseguiram se destacar.
No Corinthians, ninguém, isso mesmo, ninguém teve uma atuação acima da média. A “esperança” Matheusinho não fez nada. O CENTROAVANTE (para ele tem que ser em letra maiúscula) Douglas nem tocou na bola.

Em um jogo importante para o futuro do futebol brasileiro, dois jogadores se destacaram, nenhum deles sendo do time campeão .
Depois todo mundo reclama da seleção, disso e daquilo. Está na hora de começar a olhar para base dos times grandes e criticar o trabalho lá na raiz, ao invés de chiar quando a bomba estoura no profissional
O Corinthians é campeão da copinha no dia que o futebol brasileiro não ganhou muita coisa.
Copinha decida com 2 gols de cabeça de zagueiro

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Fama pré-craque

Sábado, jogo do Flamengo, gol do Adryan e 4 a 0.
Segunda e todo mundo só fala do resultado dos garotos e sobre o golaço do “craque” da Gávea.
E assim surgem os ídolos do futebol atual.
Para quem não viu o jogo, o menino já é o “ novo Zico”. Pela repercussão da partida, ele deve ter arrebentado com o Bonsucesso. 
Até quem viu o jogo deve ter ficado com essa impressão na Segunda-Feira. Quem não o achou o melhor em campo, deve ter achado que, ou estava sendo enganado pela memória, ou que estava errado, porque se todo mundo só fala do Adryan, ele deve ter jogado muito mesmo.
Não estou querendo de jeito nenhum tirar o mérito dele. O gol só teve esse impacto por ele ser a esperança de uma geração vitoriosa do clube. Só teve esse impacto por ele ser o destaque das divisões de base do Flamengo e do Brasil. Só teve esse impacto por ele já ter despertado interesse dos maiores clubes da Europa. Só teve esse impacto por ser um golaço. E por ele só ter 17 anos.
Mas convenhamos, quem viu o jogo sabe que o destaque não foi ele.
O Adryan só entrou em campo depois dos 30 do segundo tempo e com 3 a 0 já no placar.
O melhor em campo DISPARADO da estreia do Flamengo foi outro menino, outro meio campo: Camacho.
Desconhecido Camacho comemorando seu gol
Organizou o meio campo, marcou bastante, roubou a bola do primeiro gol, fez o terceiro em um lindo chute, deu bons passes e comandou o Flamengo com uma experiência que nem ele tem.
Por que ele não teve o destaque merecido então?
Porque não tem a história, a fama, o nome e nem a mesma condição do Adryan.
É isso. Hoje, se um jogador consegue fazer um nome, mesmo que mínimo, é o suficiente para já ter outro olhar sobre ele.
Um jogo bom de um, ofusca a ótima partida de um companheiro menos famoso. 
Talvez para deslanchar e cair nas graças da torcida, o Camacho vá ter que jogar muito mais que o Adryan.
E assim surgem os ídolos no futebol atual.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

2011 Motivos

A velha história de ano novo, vida nova é puro papo. Não tem essa. Com o início simbólico do futebol brasileiro no último final de semana, teve muita gente pagando pelo passado.
Se terminou o último ano bem, não faz tanta diferença. Se ganhar, aplausos, se perder, vaias. Porém, se terminou 2011 mal....
Botafogo, Palmeiras e Cruzeiro que o digam.
O Botafogo massacrou o Resende no primeiro tempo. Gol, penalti perdido, duas bolas na trave e domínio do jogo. Não adiantou nada. 
Os primeiros 45 minutos acabaram 1 a 1, e com mais uns 10 minutos nervosos do início do segundo tempo, já foram o suficiente para começarem algumas discretas reclamações no Engenhão.
Depois de ser o único carioca fora da Libertadores desse ano, os botafoguenses estão, com o que podemos chamar de uma pré-disposição a se irritar com o time.
Para não relembrar 2011, Maicossuel e El Loco garantiram a vitória e a calma da torcida, pelo menor por enquanto.
Em São Paulo foi igualzinho. Palmeiras vinha ganhando e sofreu o empate. Até conseguiu a vitória no final, além do Valdívia voltar a jogar bem e dar esperanças para a torcida, mas a sombra do ano passado está muito viva.
Depois do desempenho ridículo do ataque palmeirense em 2011, Ricardo Bueno já sofreu com as vaias no primeiro jogo oficial do ano, e se Maikon Leite não garante a vitória no finzinho, ia ficar difícil para o time sair do estádio já no primeiro jogo do ano.
O pior de todos foi o Cruzeiro. Depois do susto de quase ser rebaixado ano passado, só basto perder um amistoso para o América-MG para o clima esquentar.
Protesto da torcida do Cruzeiro em 2011
Equipe mal em campo, torcida reclamando e o técnico falando mal do time e depois tentando acalmar os ânimos. Quase não dá para ver que já teve virada de ano em Minas.
Os 3 já sentiram que as torcidas não esqueceram a temporada passada e se derem bobeira a crise vai começar antes mesmo do Carnaval.
Ano novo, vida nova? Bem que eles queriam.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Bem vindo de volta, O mais charmoso!


Os campeonatos estaduais são uma das formas mais genuínas do futebol brasileiro. Traduzem um sentimento intraduzível para o torcedor de qualquer lugar do mundo.
É nosso, é do Brasil, só a gente sabe!
Ainda mais certo que isso é o Campeonato Carioca ser o mais charmoso entre todos. Não tem o que discutir. Isso é um dogma, é mais fato do que dois mais dois são quatro. 
A fama do Carioca é tão óbvia que não vale nem a pena entrar no seu mérito. Falar da sua história e tudo mais é dispensável. Se duvida é só assistir ele e os outros e comparar.
Porém, esse ano ele vem ainda mais especial. Vem com uns temperinhos do jeito que o torcedor carioca gosta.
A história do estadual 2012 começa há alguns anos. Com o domínio que o Flamengo vem tendo no campeonato e as recentes conquistas em cima de Vasco e Botafogo, o clima do torneiro já começa diferente de qualquer outro do Brasil.
Os torcedores alvinegros, gloriosos ou cruz-maltinos, não aceitam nova derrota no Campeonato e se for para o Flamengo então, pode ter certeza que vai fechar o tempo no clube que perder.
Um torneiro, em que dois dos principais times entram tendo que ganhar é, no mínimo, mais interessante.
O Fluminense não fica atrás. Durante praticamente toda a história do futebol no Rio de Janeiro o tricolor foi o maior campeão regional. O Flamengo engatou uma sequencia de títulos e passou, qual você acha que é o sentimento dos tricolores para esse ano?
No ano passado o campeonato ainda ganhou um toque especial. Quando Vasco, Fluminense e Flamengo se classificaram juntos para a Libertadores, pela primeira vez na história, todo mundo sabia que esse ano ia ser quente.
Tão importante quanto os 3 na Libertadores é o Botafogo fora dela, que faz o Carioca ser prioridade total para o time da estrela solitária.
Talvez ainda não satisfeitos com tudo que o campeonato prometia, os clubes colocaram mais lenha na fogueira no início do ano.
O Flamengo entrou em uma séria crise interna, fazendo o ano rubro-negro virar uma incógnita. Salários, brigas, reclamações, tudo para apimentar o ambiente do clube e do Estadual.
Se a diretoria do clube pretendia levar o estadual com tranquilidade para focar na Libertadores esse plano já era. Mais Flamengo impossível, se não for bem no torneio a situação vai ficar feia na Gávea.
Quem também não parece querer calmaria é o Fluminense. Primeiro assinou com o dirigente Rodrigo Caetano, ex-Vasco, em uma transferência “ estranha”, aumentando uma rivalidade que vem crescendo fora de campo entre os dois clubes.
Depois, acabou com o sonho do Flamengo de ter o Thiago Neves esse ano, pagando uma fortuna para contar o meia nas próximas 4 temporadas. Ganhou o “ primeiro Fla-Flu do ano” e pôs, de vez, fogo no Carioca de 2012.
Se você ainda tem dúvidas sobre a diferença do estadual do Rio de Janeiro para os do resto do Brasil, tem algo a ver com a festa das torcidas, a beleza dos clássicos e a mistura entre futebol e Carnaval, não dá para explicar direito.
A melhor forma para entender é assistir mesmo, mas cuidado, o Carioca já é apaixonante normalmente, depois desse ano você não vai querer ver outro Estudual.
Bem vindo de volta, o mais charmoso.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

NENHUM DOS DOIS

Luxemburgo e Ronaldinho não falam mais um com o outro


O papo do dia de hoje no futebol é o duelo entre Ronaldinho Gaúcho e Luxemburgo. Todo mundo fazendo as mesmas perguntas, esperando respostas, querendo saber quem está certo, quem vai sair e como vai ser resolvido o problema entre eles.
Não tem mistério. A dúvida está nos olhos de quem quer. Se você quiser enxergar a resposta ideal, ela é óbvia: para o Flamengo, o melhor é que saiam os dois.
Luxemburgo trabalhou 2011 inteiro e não conseguiu arrumar o time. Entra em 2012, com um elenco mais fraco do que o do ano passado, com nenhum dos problemas dentro de campo resolvidos e com uma crise absurda de relacionamento entre ele e praticamente todos os jogadores do elenco.
Sinceramente, quem acredita que ele vai resolver esses problemas? Nem a Patrícia Amorim.
Se o Luxa ainda não saiu, a principal razão deve ser a multa contratual que ele tem com o clube, que pelo salário dele não deve ser pouca coisa. Somando isso, ao fato do Flamengo não ter dinheiro nem para comprar pão, dá para imaginar que é difícil se desfazer do técnico.
Provavelmente Patrícia está esperando um pedido de demissão e uma recisão amigável com o ex-treinador do Real Madrid, título que Luxa se gaba.
Questão resolvida. Luxemburgo fora, Ronaldinho dentro e tudo certo no Flamengo, certo?


Errado!


É óbvio que em uma queda de braço entre os dois, por tudo que representa, pela dificuldade de sua contratação, o trabalho para o manter e a idolatria que o Ronaldinho carrega, ele é o preferido para ficar no clube e mandar o Luxa ir jogar poker.
Porém, o Flamengo não é obrigado a ficar com nenhum dos dois. Não é porque um vai embora que o outro não pode ir também.
O Flamengo até quer o Ronaldinho, mas o Ronaldinho não quer o Flamengo. Talvez queira o Rio de Janeiro, ser ídolo da maior torcida do Brasil e ganhar um milhão e meio por mês, mas jogar no Flamengo? Isso para o Gaúcho faz parte do pacote. Como um contrapeso.
O jogador não pode fazer tudo que quiser na sua folga quarta-feira, se quinta ele tiver treino cedo.
Não adianta ter percentual de gordura 0, se fica dormindo no vestiário. 
Não adianta estar presente em todas as partidas, mas se arrastar em campo.
Não adianta não ter sérias lesões, se correr menos do que o Romário em fim de carreira.
É muito legal ter o Ronaldinho, o marketing dele e tudo mais, mas e dentro de campo?  Quando importa, ele acrescenta muito pouco, quase nada, para o clube. 
Ronaldinho é um jogador cansado de jogar futebol. Isso não cabe em time nenhum, muito menos no Flamengo.
Além disso, comercialmente ele não chegou nem perto do que se esperava e a guerra de egos dentro do elenco, estando todo mundo muito abaixo do patamar do R10, deve ser algo difícil de controlar.
A diretoria do Flamengo, que tirou férias em Dezembro, quando o recesso deveria ser só para os jogadores e a comissão técnica, agora tem uma escolha para fazer: ou um ex-jogador ou um ex-treinador.
Enquanto a Patrícia Amorim e Cia pensam na resposta, vão descobrir tarde demais que a resposta óbvia era nenhum dos dois.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

copINHA

Ia comentar a Copa São Paulo só depois do seu fim, mas depois dessas duas semanas de competição, me sinto na obrigação de falar algo. Todo mundo acompanhando, pensando em quem será o campeão, mas vamos ao que interessa: Do que adianta ganhar a Copinha?
Alguém precisa lembrar aos clubes, a imprensa e as torcidas que conquistar a Copa São Paulo não representa nada. Esse deveria ser um torneio para revelar atletas, observar quais jogadores poderiam ser usados na equipe de cima, e não, para colocar mais um troféu na estante do clube.
Pensando em quem vencerá, ou em quais clubes passaram de fase, ou quais foram eliminados, deixamos de lado o que realmente importa: Os meninos estão jogando bem? Há grandes revelações? Muitos poderão ser aproveitados e se destacarão no profissional?
Infelizmente a resposta é não.
Tirando pouquíssimos clubes, contáveis nos dedos de uma mão, que se preocupam com o futebol jogado e não com a conquista do torneio, chega a dar tristeza ver os times da Copinha.
Um monte de meninos limitadíssimos, sem consciência tática, correndo de um lado para o outro parecendo dois bandos se enfrentando em campo. 
Na maioria dos casos, a maior qualidade desses jovens é o condicionamento físico. 
Deprimente.
Se eu não soubesse que era a Copa São Paulo, com certeza acharia que era uma pelada uniformizada passando na televisão.
Enquanto isso, todo mundo torcendo e comentando os jogos, quando na verdade, o que realmente deveria ser observado é o jogador e não o resultado.
O mais importante não deveria ser campeão do torneio, e sim, preparar 3, 4 jogadores para subir para o profissional em condições de brigar pela vaga de titular.
Todo ano e em todos os grandes clubes.
Não adianta promover atletas, só para dizer que usa as divisões de base, se os que chegam ao profissional mal sabem chutar uma bola.
Eu estou exagerando? Ou será que não exigimos por estarmos acostumados com a mediocridade das nossas divisões de base e consequentemente do nosso Brasileirão?
O campeonato vai acabar, o vencedor vai ser exaltado e fica por aí. Deve ter sido muito válido para o clube ganhar esse título incrivelmente inexpressivo.
Acordem! Enquanto a preocupação na base for para ser campeão, a situação vai continuar a mesma. Times jogando para ganhar e poucos jogadores talentosos sendo revelados.
Os clubes deveriam se preocupar em ensinar os meninos os fundamentos, a se posicionar, como jogar coletivamente e não simplesmente ganhar os jogos da forma que der.
Quantos zagueiros vemos que só fazem faltas? Laterais que não sabem cruzar? Meias sem visão de jogo? Atacantes que não sabem chutar?
Isso passa pelo trabalho ruim na divisão de base. A vontade de vencer vencendo a preocupação em ensinar.
Internacional e Santos, duas das equipes que mais aproveitam seus jovens no time profissional, não são campeões da Copinha há 14 e há 28 anos, respectivamente.
Os seus trabalhos são ruins então?
Talvez seja apenas uma coincidência, talvez um indício.
Na base, o mais importante não é ser campeão e sim, formar grandes jogadores. Ou pelo menos, deveria ser.

Neymar não precisou ganhar a Copinha para merecer atenção.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O mal dos "sábios"

Por la boca muere el pez. Pela boca, vem morrendo, não só o peixe como diz o ditado espanhol, mas a imprensa esportiva e os sábios de botequim, que vêm sofrendo do mesmo mal que nossos amigos de brânquias.
Seduzidos pela preguiça, pelo senso comum e pela tendência do politicamente chato, os entendidos de futebol, profissionais ou não, vêm seguidamente espalhando suas profecias absurdas por aí.
E o pior, é que pelas mesmas razões, os espectadores desses que gozam da credibilidade alheia, acreditam piamente naquilo que seus “superiores” pregam.
Nesses tempos de opiniões fáceis, simples e insossas surgiu uma dualidade óbvia e favorável para a afirmação da linha de pensamento em que não se pensa. De um lado o bom, o sempre perfeito, Barcelona, do outro o mal, o nunca suficiente, Real Madrid.
Não foi complicado pensar nisso. Enquanto o Barcelona conquistava absolutamente tudo, o Real Madrid corria atrás, nunca escondendo que o seu objetivo era superar o atual melhor do mundo.
Para facilitar ainda mais, ao mesmo tempo que os craques catalães são serenos, centrados e corretos, Mourinho, Cristiano Ronaldo e Cia dão declarações polêmicas, de forma totalmente contrária ao que o mundo quadrado caminha.
A cereja no bolo foi os dois times serem maiores rivais. Era o que faltava para tudo ser o ideal na vida das mentes privilegiadas pensantes do esporte mais popular do mundo. 
Fazer as duas equipes virarem extremos foi consequência óbvia. Assim como classificar quem seria o filho bondoso e quem seria o filho ruim do pai futebol.
No último dia 10 de Dezembro, o Barcelona mais uma vez venceu o Real Madrid no Santiago Bernábeu. 


Repercussão? O Bem venceu o Mal.
Na Catalunha é o céu. Guardiola é um gênio que reinventou o futebol. Messi é um Deus que nunca erra um lance. E o Barcelona nunca perderá nada para nenhuma equipe.
Em Madrid é o inferno. Mourinho não sabe rigorosamente nada de futebol. Cristiano Ronaldo é pautado no marketing. E o Real Madrid provou que é uma equipe fraca e desajeitada perdendo mais um clássico.
Isso é o fácil de se fazer. Não precisa pensar para colocar os dois times em lados opostos no ringue e apontar os méritos de um e os defeitos do outro.
Não descordo do que falam do Barcelona. Sem dúvidas é um dos melhores times da história. Sem dúvidas Guardiola tem uma visão de jogo diferenciada e Messi é um dos maiores jogadores de todos os tempos.
O problema é em relação ao Real Madrid. 
Ao contrário do que declamam os sabichões futebolísticos, Mourinho é um grande técnico, Cristiano Ronaldo um ótimo jogador e o Madrid um time excelente.
A verdadeira questão é que o Mourinho não achou como parar o Barcelona. Cristiano Ronaldo está muito abaixo do Messi, e até do Xavi, em minha opinião.
E o Real Madrid? Bom, o Real Madrid não é o Barcelona. Só isso!
O Real, fraco, tendo como principal atleta um Cristiano Ronaldo puramente comercial e comandado por um Mourinho fanfarrão, cego e incompetente, abriu 5 pontos do maravilhoso Barcelona na virada de turno do campeonato nacional.
Não há como negar a qualidade azul grená. Qualquer classificação abaixo de brilhante para a equipe de Guardiola é uma afronta para o futebol. O Barcelona chegou a um patamar que é o provável vencedor de qualquer jogo ou campeonato que dispute em qualquer lugar do mundo, inclusive o da próxima quarta, contra o Real Madrid.  
Porém, ser favorito não quer dizer que não possa haver um resultado inusitado e, muito menos, que não há uma grande equipe do outro lado. E haverá. Um forte, bem armado e disposto a buscar a vitória a qualquer preço, Real Madrid.
Os entendedores, que há um mês julgaram o Real Madrid a escória e derrotado, já começam a temer por um título espanhol dos brancos. Na liga, já virou o turno e os merengues podem até mesmo perder para o único queridinho Barcelona, que só dependem de si para serem campeões.
Imaginem o “errado” e “ruim” Real Madrid sendo campeão em cima do “certo” e “bom” Barcelona. Ia ser complicado. Os gurus da bola iam ter que começar a pensar para explicar como o horrível de um mês atrás superou o perfeito. 
Na Espanha e no resto do planeta, não só os peixes temem morrer pela boca.
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Depois de escrever esse texto saiu essa matéria em que Mourinho fala coisas interessantes sobre as críticas e sua carreira. Vale a pena dar uma olhada.


http://globoesporte.globo.com/futebol/futebol-internacional/futebol-espanhol/noticia/2012/01/mourinho-defende-cr7-nega-atrito-com-guardiola-e-esvazia-o-classico.html