segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Finalmente um favorito!

Demorou, mas pela primeira vez o Brasileirão tem um favorito ao título. Depois de 32 rodadas, finalmente, uma equipe se destaca como principal candidato a conquistar o campeonato. Se a até agora a competição estava aberta entre o Corinthians e os 4 grandes do Rio, com a última rodada o time paulista deu um grande passo para se sagrar campeão.
O Corinthians ser favorito não quer dizer que vá ganhar o Brasileirão. Obviamente Vasco, Botafogo e Fluminense ainda tem chances, mas com a tabela dessas equipes, dificilmente esse título vem para o Rio de Janeiro.
Os próximos jogos do time paulista são muito mais fáceis. Das próximas seis partidas, 4 adversários lutam contra o rebaixamento, enfrenta o Figueirense que não deve disputar nada na época e depois encerra o campeonato em um clássico contra o fraquíssimo Palmeiras. O Vasco, apesar de estar empatado em número de pontos na liderança, tem os jogos mais difíceis, tendo ainda 3 clássicos pela frente, dois jogos longe do Rio e somente um jogo em São Januário.
O Botafogo, a 3 pontos do time paulista e na terceira colocação, tem ainda dois clássicos estaduais contra o segundo e o quarto colocado, além de ainda enfrentar o Internacional brigando por uma vaga na Libertadores. O mesmo para o Fluminense que tem as mesmas pedreiras do Botafogo (alterando a ordem das posições no confronto ente eles). O tricolor ainda esta a 5 pontos da liderança e precisaria de 2 rodadas com diversas combinações de resultados para chegar a primeira colocação.
Se a rodada foi boa para o Corinthians com o empate entre Vasco e São Paulo, o mesmo não se pode dizer para o tricolor paulista. Com os resultados de domingo, o time de Emerson Leão, o Flamengo e o Internacional abandonaram de vez a briga pelo título.
São Paulo e Inter estão a mais de 6 pontos do Corinthians e precisariam de 3 rodadas para chegarem a liderança. Já o Flamengo está a 6 pontos, mas com o baixíssimo número de vitórias entra na mesma situação desses outros clubes e resta a ele brigar pela Libertadores.
Lá embaixo, o único vencedor da rodada foi o Atlético-MG. Além de abrir quatro pontos para a zona de rebaixamento, o Galo ainda ultrapassou Bahia e Cruzeiro, deixando duas equipes entre ele e o temido Z-4. Depois de assustar sua torcida no primeiro turno, o time faz uma excelente campanha no segundo, com mais de 60% de aproveitamento e provavelmente permanecerá na primeira divisão.
Com 36 pontos e uma tabela tranquila o Bahia também deverá escapar da segundona. O clube joga em casa contra Palmeiras e Ceará, tendo condições de vencer os dois. Fora de Pituaçu, a equipe visita o Santos na 37 rodada, quando a clube paulista já deve estar mais focado no Mundial que no Brasileiro, facilitando o caminho do time baiano.
O mesmo não se pode dizer dos outros clubes lá de baixo. O América-MG já está rebaixado e o Avaí dificilmente vai ter um final diferente. Para escapar das outras duas vagas, brigam Atlética-PR, Ceará e Cruzeiro.
Nenhuma das tabelas é fácil. O Cruzeiro, por exemplo, enfrenta os 3 concorrentes diretos abaixo dele, 2 equipes brigando pela Libertadores e o Atlético-MG na última rodada. A briga para ver qual dos 3 não vai cair, está mais difícil de definir do que quem vai ser o campeão.
Como toda previsão, essa não passa de uma simples análise, totalmente subjetiva. Minha opinião não é nada mais do que a minha opinião e, sinceramente, torço até para eu estar errado.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

História em pessoa

Sair do jogo e ligar o rádio. Nas vitórias, a voz de Luiz Mendes trazia a magia da extensão do momento do gol. Nas derrotas, a palavra fácil acariciava o coração e parecia entender a dor que só um amante do futebol sente. Assim, com meus singelos 19 anos, posso descrever alguém que durante 71 anos encantou, compreendeu e deu voz ao sentimento de milhões de brasileiros na TV e, principalmente no rádio.
O comentarista da palavra fácil, como era conhecido, nasceu em 1922 e sua vida se mistura com a da televisão e rádio brasileiros, principalmente no âmbito esportivo. Hoje, não só o Brasil, mas o mundo perdeu uma pessoa que viu e fez a história.
Há um ou dois meses, lendo alguns livros sobre os maiores jogadores brasileiros de todos os tempos, pensei em como seria ter presenciado os lançamentos de Zizinho com a camisa do Flamengo, as arrancadas de Ademir em São Januário, os passes de Romeu nas Laranjeiras e os dribles de Garrincha.
Perguntei-me se estas crônicas retratavam a realidade, como teria sido ir ao estádio ver esses mestres, dúvidas, que eu e quem gosta de futebol nunca poderemos satisfazer. Um vazio existente para sempre em quem ama esse esporte. Questões que Luiz Mendes poderia responder com simplicidade, não por simplesmente ter visto esses gênios, mas por ter construído o futebol brasileiro ao lado deles.
Em 71 anos a serviço da Comunicação não houve um entrave na voz. Nunca gaguejou. As palavras saiam como se por vontades próprias, estruturadas, de fácil entendimento para burgueses ou operários, suaves nos ouvidos de todos. O patriotismo nacional, a história do país, a popularidade do futebol no mundo, tudo isso merece um capítulo especial com seu nome.
Vindo do Sul, com apenas 20 anos era locutor da rádio globo já no dia de sua fundação em 1944 e até hoje ainda brindava com sua presença a emissora que ajudou a transformar em uma das maiores do país.
No jornalismo esportivo acompanhou 16 Copas do Mundo. Em 1950, narrou o gol de Gighia com 9 entonações diferentes até acreditar que estava levando para o país um dos momentos mais tristes de seus 450 anos até então. Em 1954 foi o único locutor brasileiro a transmitir a Copa e, em 58, obteve seu momento de maior felicidade na profissão, levando na voz, da Suécia ao Brasil, a nossa primeira conquista mundial.O título de 1958 foi o momento mais marcante de sua brilhante carreira segundo ele, um adepto do lema que a primeira vez a gente nunca esquece.
Copas, jogos, conquistas e gols. Luis Mendes captou como ninguém a simplicidade e fidalguia de uma bola estufando na rede. Em 1963, criou o que foi a primeira e melhor mesa redonda da história da imprensa brasileira.  No programa Fácit, gênios defendiam seus clubes com a paixão do torcedor que ia aos domingos ao Maracanã.
Trabalhando como âncora, ao lado de Luís estavam nomes como Nélson Rodrigues, defensor do Fluminense, João Maria Scassa, fanático pelo Flamengo, João Saldanha, fervoroso torcedor do Botafogo, Ademir Menezes, maior ídolo da história do Vasco e Armando Nogueira que tentava representar a imparcialidade. O programa, que é considerado o melhor de jornalismo esportivo já feito, foi idealizado por esse mito da nossa imprensa.
Durante essas mais de 7 décadas no rádio, ele narrou, comentou, emocionou e, mais que isso, fez história. A história dele, a história do futebol, a história do Brasil e a história de todos que ouviram em sua voz as palavras certas durante uma vida dedicada a comunicação.
Com um singelo Minha gente, Luiz Mendes entrou na vida de milhares de brasileiros durante muitos anos. Hoje, infelizmente, nada consegue descrever sua perda e o que ela significa. Talvez, só um comentarista com a palavra fácil conseguisse achar os termos certos para exprimir a dor que toma conta do jornalismo hoje. Só Luis Mendes, com sua genialidade e serenidade, seria capaz desta missão.

9/06/1924-27/10/2011

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Ser o mais equilibrado não é ser o mais difícil

Jogadores consagrados voltando ao Brasil, campeonato equilibrado até o final e muita emoção na briga pelo título e no rebaixamento. Tudo propício para o discurso de exaltação do futebol brasileiro. Com o atual momento do Brasileirão , vem se espalhando a febre de afirmar que o nosso torneiro é o mais difícil do mundo. Tem um cheiro de exagero no ar.
O discurso é que os clubes europeus não teriam vida fácil aqui e talvez nem ganhassem a nossa série A. Afirmar isso, é um absurdo e se trata mais de uma questão de patriotismo do que de uma análise de futebol.
Pegando o Real Madrid como exemplo ( não quis nem usar o Barcelona), os onze jogadores da equipe seriam titulares facilmente em todos os 20 clubes da nossa primeira divisão. Talvez um ou outro não fosse em alguma equipe, mas isso em uma posição por time e olhe lá. Kaká, que vem brigando para ser titular no Real, seria o craque de qualquer time no Brasil mesmo sem uma perna.


Isso é simples de entender. O elenco de José Mourinho é um selecionado dos destaques de todas as Ligas Nacionais. O nome de mais valor em cada uma delas vai para times como Real ou Barcelona, como vai acontecer com Neymar, que atualmente é o melhor jogador atuando no Brasil. Clubes como estes são na verdade seleções sem a restrição da nacionalidade. 

Isso não quer dizer que o futebol espanhol é melhor que o Brasileiro, só significa ter mais dinheiro para montar um bom grupo.

O último defensor dessa tese ufanista na imprensa foi o técnico do Flamengo. Luxemburgo usou a sua experiência como ex-técnico do Real para afirmar que se seu ex-clube jogasse no Brasil enfrentaria muitas dificuldades para ser campeão. Em menos de uma semana e o treinador passou por uma situação que, no mínimo, serviu para ele refletir sobre isso.
Não precisou nem jogar contra um grande time espanhol. O atual líder do Campeonato CHILENO veio ao Rio enfrentar o Flamengo. Antes de vir, os jogadores do Univerdad do Chile disseram serem favoritos e que ganhariam o jogo aqui. A imprensa ficou surpresa, achou ousadia, criticou os comentários e blá, blá, bla. Eles vieram, fizeram 4 a 0 e podiam ter feito 7.O resultado não foi elástico porque enfrentou o Flamengo em específico, mas com o futebol apresentado pelos Chilenos, ganhariam de qualquer time brasileiro.
O quarto colocado do Brasileirão tomou um passeio de um clube chileno, mas se fosse contra o Real Madrid ou o Barcelona o jogo seria equilibrado, é isso?
Vamos pensar de uma outra forma e analisar um fato sobre a melhor defesa do nosso campeonato e o melhor ataque da Europa.
 O time menos vazado no Brasileirão é o Corinthians. O setor defensivo da equipe no último jogo foi Alessandro, Leandro Castán, Paulo André e Fábio Santos. As pessoas realmente acreditam que um ataque com Messi, Villa, Xavi, Iniesta e Fábregas teria muita dificuldade para furar essa defesa?
Aparece, então, o argumento das vitórias do clubes brasileiros em Mundial de Clubes. Por favor, essas conquistam não podem representar um parâmetro. Para esses jogos, os clubes brasileiros abdicam do ano, passam 6 meses se preparando para um adversário e jogam 90 minutos na defesa.
 Até acho que devem se portar assim mesmo, e FAZEM ISSO POR TEREM UM TIME MAIS FRACO, mas isso da certo em uma partida, nunca funcionaria em um campeonato com 38 rodadas.
O Mazembe ano passado partiu para cima e ganhou do Internacional no Mundial. Por esse pensamento lógico, o time africano disputaria o título brasileiro até o final. Complicado acreditar nisso.
Vou tentar outra forma de encarar o assunto. Pense no seu campeonato de pelada. Você acha mais fácil ser campeão de um torneio que todos os times tem mesmo nível do seu ou em um onde a maioria é mais fraca, mas tem duas equipes muito mais fortes? Eu acho que no torneio equilibrado tenho mais chances, ou seja, seria um campeonato com maior possibilidade de ganhar, apesar de ser mais disputado. Em um torneio com 2 clubes mais fortes, provavelmente elas brigariam lá em cima, meu time seria o terceiro e os outros disputariam abaixo de mim.
Todo mundo fala que o Brasileirão é o mais difícil pela possibilidade de equipes da ponta da tabela perderem para o último colocado, como o Vasco foi goleado pelo América-MG. Perdoem-me quem acredita nisso, mas nunca, em um milhão de anos, eu vou ver esse Barcelona ser goleado pelo América-MG. Se o atual Barça enfrentar um time desse nível e ganhar de menos de 4 ou de 5, todo mundo vai criticar a atuação, justamente por saber o altíssimo nível da equipe espanhola e do que ela é capaz de fazer.
Um torneio ser mais equilibrado não quer dizer que é mais difícil. Disputa e dificuldade não são a mesma coisa necessariamente. Acho que falta uma visão um pouco menos nacionalista sobre isso. As pessoas acabam se deixando envolver e querendo defender o Brasil mesmo involuntariamente.
O último argumento vai tentar provar isso. Se no Campeonato Indiano tiveram 20 times disputando para ser campeão até a última rodada, isso fará o Indianão ser mais difícil de se ganhar do que o Brasileiro? Não. Se colocarmos qualquer equipe nossa para jogar lá, ela ganhará com os pés nas costas.
O Vasco ontem ganhou com o time misto por 8 a 3 do líder do Campeonato Boliviano. Caso lá chegue a última rodada com os 20 times empatados com o Aurora na primeira colocação, isto não fará o torneio deles mais difícil que o nosso. Com o futebol jogado pelo líder da Bolívia, eles podem ter um milhão de times empatados em primeiro, se colocássemos um clube de meio de tabela como o Grêmio, seria campeão lá com 30 pontos de diferença.
O assunto é polêmico, muita gente não concorda e nem tenho o sonho de convencer todo mundo, mas, pedindo licença para o patriotismo, acho óbvio que um clube como o Barcelona ou o Real Madrid conquistariam a nossa série A sem muitos problemas

domingo, 23 de outubro de 2011

AULA AZUL

Foi um passeio. Consegue imaginar seu time, sem perder há mais de um ano no seu estádio, enfrentando em casa o maior rival e tomando uma goleada de 6 a1? O torcedor do Manchester United com certeza não esperava isso hoje contra o Manchester City.
O jogo todo foi uma aula. Principalmente porque o City atuou de duas formas totalmente opostas nos dois tempos e foi muito superior dos dois jeitos. 
A equipe visitante foi para a primeira etapa querendo se defender e sair nos contra-ataques. Fez isso com perfeição. O United jogou 45 minutos no campo ofensivo, mas não criou nenhum lance de gol. Foi totalmente neutralizado pela marcação armada por Roberto Mancini. Já o City, na única chance que teve, Balotelli foi lá e fez o 1 a 0.
Na volta para o segundo tempo, o Old Trafford lotado até tentou incentivar a reação do time mandante, mas a esperança durou pouco. Aos 2 minutos Evans foi expulso e acabou com qualquer possibilidade de virada. Se na primeira etapa o City foi muito eficiente jogando atrás, na segunda foi fantástico, partindo para cima e encurralando o rival.
O United passou o segundo tempo tentando entender o que o rival estava fazendo. Tocando a bola rápido e com objetividade, o time visitante fez 6, mas podia ter feito 8 ou 9. Foi um verdadeiro massacre. O gol de honra dos mandantes foi em um belo chute de fora da área de Carrick. Só podia ser, porque o United mal conseguia passar do seu campo de defesa.

Não se perca na contagem, os gols do City foram marcados na seguinte ordem: Balotelli, Aguero, Dzeko ( entrou no lugar de Balotelli), Silva e por último Dzeko, de novo.
 O placar de hoje igualou a maior goleada da história do clássico que é disputado desde 1881. Antes desse jogo, o resultado mais expressivo foi também um 6 a 1 que o City aplicou no United em 1926.
Pode não ter os jogadores mais badalados, mas com certeza o City é o time mais bem armado da Inglaterra. Mancini acertou nas contratações, montou um grupo que se completa e vem trabalhando muito bem no comando da equipe azul. Inclusive, a torcida hoje cantou muito o nome treinador que já é ídolo.
Um dos principais méritos de Mancini esta além da armação tática da equipe. Ele vem conseguindo fazer  jogadores importantes renderem o máximo que podem. David Silva e Balotelli jogaram muito. O meia espanhol foi o melhor em campo hoje e é o destaque do campeonato até agora. Já o atacante, marcou os dois primeiros gols e é uma aposta do treinador, que pediu a sua contratação contrariando a vontade da torcida e dos dirigentes.


Se alguém ainda duvidava que o Manchester City era time grande, hoje ficou a prova. Humilhou o maior rival na casa dele. Jogou dois tempos perfeitos de formas totalmente opostas. E ainda, de quebra, abriu 5 pontos na liderança do Campeonato Inglês. Ta bom ou quer mais? O City chegou de vez na Inglaterra. E chegou para ficar.

Qual o problema com ele?

Cristiano Ronaldo virou o anti-herói do futebol. É impressionante o tratamento que dão á ele. Quando faz boas partidas, recebe um tapinha nas costas e uma mensagem de bom trabalho. Se jogar mal, lá vem uma chuva de críticas dos jornalistas “imparciais”.
Longe de mim achar que ele é um gênio. Atualmente, nem melhor do mundo é. Mas a imparcialidade em relação a ele chega a ser falta de ética. O objetivo não é o endeusar, mas só quero saber o motivo de se ouvir tanto a frase que “ esse tal de Cristiano Ronaldo não é nada demais”.
Não dá para entender o porque as pessoas criticam tanto ele como jogador. É marrento, prepotente, arrogante, vaidoso ao extremo, mas e daí? O que essas características interferem no rendimento dele em campo? O problema então é com pessoa e não com o atleta?
A personalidade de Ronaldo nunca atrapalhou seu desempenho. Em nenhum clube que passou arranjou confusão com os companheiros. Trabalhou com os melhores técnicos do mundo e todos, sem exceção, sempre admiraram muito o seu empenho. Semana passada Felipão falou que Cristiano sempre era o mais dedicado e o último jogador a deixar o treino da seleção portuguesa. Qual o problema de sua personalidade na relação com seu trabalho então?
Romário era sinônimo de marra. Neymar é a vaidade em pessoa. Todos são idolatrados aqui e no resto do mundo. Sendo brasileiro pode e se for português não?
O papo dele não ser bom jogador e de fazer muitas firulas não cola. No último ano, ele simplesmente se tornou o maior goleador da história do Real Madrid, time com maior número de títulos no século XX e que contou com alguns jogadores lendários como Puskas e Di Stéfano.
 No Campeonato Espanhol, ele fez 40 gols em um torneiro que 38 tem rodadas, sendo que não participou de todas as partidas. Atingiu média bem superior a 1 gol por jogo, passou a ser o maior artilheiro da história da competição e deixou com na segunda posição, o melhor do mundo, Lionel Messi.
Se mesmo fazendo tudo isso, ainda acham que ele é um jogador sem talento, fico imaginando a quantidade de gols que precisa fazer para mudarem de ideia. Se você pensa diferente, deve achar então que ele tem talento, mas enfeita muito as jogadas. Tudo bem, mas se ele for mais objetivo fará quantos gols? 60? 80? Vamos lembrar que estamos falando de Cristiano Ronaldo, não de Pelé.
Cristiano Ronaldo comemora um de seus 3 gols no jogo de ontem.
O argumento agora é qual? Ele não faz tudo isso na seleção? Tudo bem, é verdade, mas quem faz? Messi? Ronaldinho Gaúcho ganhou uma Copa do Mundo, não foi? Quem eram os companheiros dele? Ah eram SÓ Ronaldo e Rivaldo. Quem joga ao lado dele em Portugal? Hélder Postiga e Raul Meireles? É, realmente assim fica um pouco mais difícil.
Sempre aparece aqueles defensores da tese de que se o jogador for bom mesmo, ganha a Copa sozinho. Quem foi o último a fazer isso? Romário? Até o baixinho tinha Bebeto do lado dele. Alguém sabe algum outro jogador do nível do Bebeto que passou pela seleção portuguesa nos últimos anos? Interessante a reflexão. Outro detalhe: Comparar o Cristiano Ronaldo com o Romário é atestar que o atacante do Real Madrid é bom jogador, mesmo ele não chegando nem perto do futebol do nosso craque.
Quando os críticos já estão ficando sem argumentos, sem ter nada a dizer, surge o discurso mais absurdo entre todos: o comparar com Messi. O Argentino é MUITO melhor. O próprio Cristiano Ronaldo já falou isso. Quando o Barcelona ganha do Real Madrid é a chance de todos falarem da superioridade Lionel, do fracasso de Ronaldo e da diferença entre os dois.
Surge então mais uma vez algumas questões: Messi é melhor, isso quer dizer que Cristiano não possa ser um grande jogador? Pelé é o melhor de todos, então de resto, ninguém serve? Só os melhores de cada época é que merecem ter seu talento reconhecido?
Por favor, né? Comparar os dois jogadores é uma brincadeira de mau gosto. Um ser melhor do que o outro não quer dizer absolutamente nada. Em qualquer profissão há mais ou menos talentosos, mas nem por isso quem estiver abaixo do número 1 não presta. Acho improvável que você seja o melhor do mundo na sua.
Sinceramente, não entendo porque o criticam tanto como jogador. O que ele faz da vida dele, como se comporta, nada disso tem importância. O relevante é se é bom ou não, e ele é muito bom dentro de campo. É triste, mas no fim das contas estou começando a acreditar que as críticas ao futebol de Cristiano Ronaldo não passam de uma simples birra com a personalidade dele.

sábado, 22 de outubro de 2011

CONSELHO DE AMIGO

Se você pensa em assistir algum jogo da seleção brasileira de futebol masculino nesse Pan-Americano, aqui vai um conselho de amigo: só faça isso se não tiver mais nada para fazer. Não deixe de sair para balada, ir ao cinema com a namorada, jantar com a família e se estiver com sono, durma, mas não se torture vendo um jogo desse Brasil. 
Caso queira exercer o patriotismo e torcer pelo país na competição, vale mais a pena assistir as provas de tiro do que as partidas de futebol. Eu sei o que deve estar passando na sua cabeça: “ Ele esta exagerando, não pode ser tão ruim assim’’. Acredite, é pior do que você imagina.
Na quarta, na estreia brasileira na competição, a expectativa era de um bom jogo como é a tradição entre Brasil e Argentina. O primeiro tempo estava tão ruim, e a nossa seleção jogava tão abaixo da dos hermanos que me convenci ser mais interessante assistir a Santos e Botafogo. Era uma boa desculpa para mim mesmo, para não me sentir mal de perder um clássico contra os nosso maiores rivais. Pela forma que o time brasileiro vinha jogando, me surpreendi com o empate em 1 a 1.
Hoje não tive escapatória. Sexta-feira a noite, ia ficar em casa, não tinha nada que pudesse inventar para escapar da sensação de peso por não ver a seleção. Lá fui eu então pensar em desculpas para me convencer de que valeria a pena ver aquele mesmo time que jogou muito mal na quarta. Nem precisei pensar em algo muito elaborado. Me convenci com o tradicional nervosismo de estreia, e que jogando contra Cuba seria goleada. Acreditando em minhas próprias mentiras, sentei na frente da televisão para acompanhar a nossa seleção.
E não é que eles conseguiram fazer um jogo pior? O Brasil empatou em 0 a 0 com Cuba em um jogo sofrível. A maior motivação para continuar vendo o jogo era pensar que se estava vendo aquele horror durante tanto tempo, não poderia perder se algo de bom acontecesse. A seleção não criou absolutamente nada. Sem nenhum talento, foi triste ver a torcida mexicana, apaixonada pelo futebol brasileiro, gritando olé para a troca de passes cubana e nos vaiando ao final do jogo.
Com o empate, o Brasil vai enfrentar a Costa Rica precisando dos 3 pontos, já que o próximo adversário é o segundo do grupo. Em caso de novo empate, nós seremos eliminados do Pan-Americano já que até a Costa Rica conseguiu ganhar dos Cubanos e nós não.
Durante a partida o narrador até tentou amenizar o lado da seleção. Falou do nervosismo dos meninos, da boa postura de Cuba, que o adversário é bem armado e um monte de coisa. Sinceramente? Cuba é time para ser goleado em qualquer categoria, em qualquer campeonato. Tirando o Pan- Americano, alguém sabe algum campeonato ou amistoso que eles tenham disputado?
O time de Ney Franco até tem algumas qualidades. A preparação física é boa, os meninos mostraram garra e a equipe é bem arrumada taticamente. A única coisa que o Brasil não tem é um detalhe bem pequeno, quase irrelevante. Só falta a esse time saber jogar futebol.
É inadmissível entrarmos em campo com 11 jogadores e o mais criativo deles ser o Lucas Zen do Botafogo. Nada contra ele, até tem qualidade, mas esta longe, muito longe, de ser o jogador que deva ser responsável pela armação de jogadas Brasil.
Infelizmente essa seleção brasileira é muito ruim. A zaga é instável, o ataque é fraco e o meio campo não tem a menor criatividade. Nesse Pan, ganhamos provas na natação, no vôlei, na ginástica, e em outras modalidades, mas no futebol masculino, só quem tem merecido medalha de ouro são os espectadores que tem conseguido, com muito esforço, acompanhar um jogo inteiro do Brasil.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Neymar não deu chance ao Botafogo

O jogo era muito mais importante para o Botafogo. Uma vitória na partida adiada da vigésima primeira rodada levaria o clube para a liderança do Brasileirão. Já para o Santos, só interessava acabar com a má fase e fazer uma boa apresentação. Além disso, o alvinegro do Rio vem atuando melhor que o de São Paulo, natural acreditar que venceria e assumiria a liderança. Não quando o adversário tem um atleta diferenciado como Neymar.
 Após uma semana sem jogar, a jóia do Santos estava descansada e mostrou o seu melhor repertório. Fez golaço, deu caneta, balão, sofreu muitas faltas, enfim, Neymar jogou muito mais que o sistema ofensivo inteiro do time carioca e acabou com a chance do Botafogo assumir a primeira colocação do Brasileirão no jogo de ontem.

 Caio Júnior usou a mesma tática que utilizou contra o Corinthians.O treinador colocou Felipe Menezes no lugar de Herrera esperando ganhar a posse de bola no meio campo, mas ao contrário do jogo da última semana, o meia não esteve bem e em momento algum o time conseguiu trocar passes e dominar a partida,

O Santos começou marcando forte a saída de bola do adversário, fazendo o Botafogo errar muitos passes ainda em seu campo de defesa e sentir muito a falta da cadência do suspenso Renato. O time paulista ainda contava com Neymar atuando com liberdade e voltando até o meio campo para armar a equipe ao lado de Arouca, que aparecia bem na frente. Os donos da casa encurralaram o time carioca até que aos 18 minutos o craque santista deixou Bruno Tiago no chão e, de bico, finalizou sua pintura abrindo o placar para a equipe da Vila Belmiro.
Com o 1 a 0 o Santos diminuiu o ritmo que impôs no início do jogo, dando espaço para o Botafogo atacar e querendo explorar os contra-ataques. O time carioca até tentou, mas com Loco Abreu e Elkesson sumidos e Maicossuel mal em campo, a equipe não ameaçava o gol defendido por Rafael. Caior Júnior ainda mexeu cedo no time. Tirou Bruno Tiago, que tinha cartão amarelo, e colocou Léo aos 20 minutos. A marcação melhorou um pouco, mas a falta de criatividade continuou a assolar o alvinegro do Rio.
Aos 28 minutos veio o golpe fatal para o Botafogo. Em um contra-ataque rápido, Borges, que estava sumido até então, dominou e bateu de fora da área para fazer o segundo do Santos. Com o belo gol, o artilheiro do campeonato se igualou a Serginho Chulapa como maior artilheiro do clube paulista em uma edição do Brasileirão.
Se quando fez o primeiro passou a administrar o jogo, com dois gols de vantagem o time paulista passou a tocar mais ainda a bola, explorando os contra-ataques e se aproveitando da péssima apresentação que o sistema ofensivo do Botafogo realizava. Maicossuel era o único que tentava algo, mas errando tudo, não conseguia criar chances de perigo. O fim do primeiro tempo foi um alento para a torcida do time carioca que, antes da partida, chegou a achar que ganharia com tranquilidade.
Na volta para a segunda etapa, Caio Júnior tirou o sonolento Elkesson e colocou Herrera para tentar dar mais movimentação ao setor ofensivo. O ataque até passou a se mexer mais, mas definitivamente não era noite da equipe do Rio. Com seus jogadores pouco inspirados, o Botafogo só levava algum perigo em bolas aéreas ou em chutes de longa distância.
Já pelo lado paulista tudo acontecia como o planejado. Jogando atrás e esperando o adversário, a marcação esteve perfeita com Adriano como um verdadeiro cão de guarda na frente da zaga, Arouca ligando rápido o meio de campo ao ataque e lá na frente um menino com pinta de gênio. Apesar de o terceiro gol não sair, a exibição de gala de Neymar continuou e fez valer o ingresso de quem foi a Vila Belmiro.
O resultado não tirou o Botafogo da briga, mas jogou um balde de água fria na equipe, que esperava dormir líder nessa quarta. Para o Santos, valeu para tranquilizar o ambiente, fazer as pazes com a vitória e poder trabalhar sossegado na preparação para o mundial. Para os torcedores, santistas, botafoguenses e de outros clubes, valeu e muito, pelo show que o já craque Neymar proporcionou mais uma vez para quem gosta de futebol.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

BIRRA AOS 63 ANOS

Há uma semana mais um problema estourou no Palmeiras. O clube, acostumado com os momentos difíceis na última década, passa pela situação mais delicada desde o seu rebaixamento para a segunda divisão em 2002. 
O ponto alto da crise que se arrasta desde a derrota por 6 a 0 para o Coritiba, há mais de 5 meses, se deu na última semana quando o jogador João Vítor foi agredido por membros de uma torcida organizada na porta da sede do clube. O meio campo e dois amigos se envolveram em uma confusão com cerca de 20 torcedores que acabou com o atleta sendo levado ao hospital muito machucado.
 Desde terça-feira passada o conflito tomou conta dos programas esportivos. Além das diferentes opiniões dadas pelos jornalistas, durante a última semana surgiram também algumas novidades sobre o assunto, principalmente um vídeo,  cujo conteúdo coloca em dúvida a versão inicial de que o jogador seria totalmente vítima na briga. 
 Se foi culpa do atleta ou não. Se a covardia foi dos torcedores ou do atleta e de seus amigos. Se o clube foi negligente ou fez tudo que pode para evitar o fato.Todas essas questões já foram abordadas exaustivamente pela imprensa. Os vídeos sobre a confusão já foram passados e repassados e poucas conclusões se podem tirar do assunto. 
 Neste momento, o que vale a pena questionar é  como a situação foi conduzida pelos dirigentes palmeirenses e, principalmente, pelo técnico Luiz Felipe Scolari. O caminho escolhido por Felipão foi o pior possível. Ao invés de contornar e amenizar o ocorrido, aumentou o problema e o fez ganhar proporções ainda maiores.
Ao fato ser noticiado, todos se colocaram ao lado do jogador e começaram a ser disparadas críticas as torcidas organizadas. Desde o primeiro momento, o principal nome na defesa dos supostos culpados foi o técnico palmeirense, que há pouco tempo teve alguns problemas com o mesmo grupo que agrediu João Vítor.
A atitude do treinador espantou a todos. Crítico desta facção da torcida, ele repetia em todas as declarações que a imprensa não sabia de todo o ocorrido e a necessidade de averiguar os dois lados da história. Felipão realmente estava correto, mas para se postar dessa forma, com certeza ele já sabia de fatos desconhecidos pelos jornalistas. Informações que ele não quis passar por uma série de desentendimentos recentes que teve com a imprensa esportiva.
Devido, inclusive a problemas com os repórteres, o treinador vem, por exemplo, constantemente proibindo seus jogadores de darem entrevista. Voltando ao caso da agressão, claramente Felipão escondeu informações da imprensa. A intenção dele era não ajudar quem cobre o clube e sim, a todo instante provocar os jornalistas afirmando que eles não sabiam o que de fato ocorreu.
 O problema é que a birra do técnico teve consequências inesperadas. O principal resultado dessa postura jogou o clube direto para outra crise. Um dos principais nomes do elenco, o atacante Kléber, questionou a postura do treinador sobre o ocorrido. As reclamações do centroavante geraram uma série de atritos, fazendo a relação entre o atleta e o técnico ficarem insustentáveis. Resultado: o Palmeiras perdeu o jogador de mais qualidade no seu grupo e ele será vendido por um valor muito abaixo do que seria negociado em condições normais.
Isso já seria o suficiente para ficar explícito a infelicidade de Scolari no caminho traçado, mas além do caso Kléber, a atitude dele gerou outra consequência negativa. Uma situação que poderia ter sido resolvida rapidamente, caso, desde o início, fosse divulgado o o que realmente ocorreu, vem durando muito mais tempo, devido a imprensa precisar correr atrás de informações não liberadas pelo técnico. Os jornalistas demoraram alguns dias para descobrir os fatos conhecidos pelo treinador em poucas horas. Isto só serviu para alongar um tema que o técnico poderia ter resolvido mais rapidamente.
Felipão colocou seus problemas acima dos do Palmeiras. Não pensou no que sua atitude poderia acarretar para o clube, papel primordial para um técnico de futebol. Negar suas qualidades como treinador é absurdo, mas está na hora dele repensar algumas atitudes que vem tendo no comando de sua equipe, afinal o maior prejudicado nessa história mais uma vez é o Palmeiras

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

GUERREIROS EM CAMPO E NO SOFÁ

A expectativa era de mais um jogo sem graça. Véspera de feriado, uns preferiram sair de casa, outros foram dormir cedo, mas o certo é que ninguém tinha muita expectativa para o confronto entre México e Brasil. Porém, quem foi guerreiro, ficou em casa para acompanhar a seleção teve sua recompensa. O Brasil jogou bem, ganhou de um adversário forte na casa dele, de virada e com um jogador a menos. Provavelmente nem Mano Menezes esperava por isso.
Foram poucas as alterações que a seleção teve em relação as últimas partidas. Mesmo não mexendo muito, a diferença entre ontem e as últimas apresentações foi muito grande. Alguns dos novos titulares, como Marcelo e Hulk, jogaram muito bem, outros como Lucas Leiva e Fernandinho, podem não ter sido tão brilhantes, mas estiveram melhor do que os que substituíram e também foram importantes para o crescimento da equipe.
Se contra a Costa Rica o Brasil foi apático, ficou tocando bola, ontem foi bem diferente. Obviamente, não seria tão fácil, afinal, enfrentava uma seleção de bastante qualidade dentro de sua casa. Porém, o Brasil atuou como Brasil, tomou conta do meio campo e do jogo, e teve a iniciativa da partida.
O México tentou pressionar o Brasil desde o início. Mostrando bom toque de bola e empolgado pela torcida, a seleção local tentava encurralar a seleção canarinho. Quando o Brasil equilibrava a partida, veio o cruzamento da direita e David Luiz fez gol contra, abrindo o placar para o time mexicano.
Alguns, dos poucos que ainda estavam em frente da TV, foram dormir. Sentenciaram que seria mais um jogo ruim do time de Mano Menezes. Com a desvantagem, a seleção passou a buscar mais o jogo, querer mais o gol e partiu para cima dos Mexicanos. Jogando um futebol de bom toque de bola, buscando o gol a todo instante e marcando a saída de bola, envolvia o adversário e perdeu, ainda no primeiro tempo, algumas chances de empatar com Hulk e Neymar.
Apesar da derrota parcial, o desempenho da seleção era animador, tanto para o segundo tempo quanto para a continuidade do trabalho de Mano. Hulk e Marcelo, que começaram como titulares ontem, eram os melhores brasileiros em campo, jogando bem e com muita disposição.
Quando todos já falavam em uma virada no segundo tempo, aos 44 minutos da etapa inicial Daniel Alves cometeu penalti, recebeu o segundo amarelo e foi expulso. Se o México fizesse o segundo gol a reação ficaria quase impossível e, mesmo se não marcasse, ainda seria muito difícil, agora que a seleção jogaria com um a menos. Jéfferson voou e fez uma grande defesa no penalti batido por Guardado. Com 10 em campo, quem via o jogo, em casa ou no estádio, passou os 15 minutos do intervalo querendo saber como o Brasil se colocaria em campo no segundo tempo.
Na volta para a segunda etapa, Mano Menezes colocou Adriano no lugar de Lucas para recompor a perda na lateral direita. Sem o são paulino, Neymar foi jogar no meio ao lado de Ronaldinho e Hulk ficou isolado no ataque. Com um homem a menos na frente, o Brasil perdeu poder ofensivo, o jogo ficou equilibrado, mas ao contrário do que se esperava o México não cresceu na partida.  Apesar de não criar muitas chances, a seleção brasileira continuou com maior ímpeto ofensivo que o adversário.
Apesar de bem postado no meio campo, e sem deixar espaços atrás, o México não ameaçava o gol brasileiro. O único lance de perigo da equipe no segundo tempo foi em uma boa cabeçada de Chicharito que Jéfferson fez grande defesa.
Logo depois, aos 33 minutos, os dois principais nomes da seleção brasileira resolveram aparecer. Neymar e Ronaldinho não estavam bem na partida, mas são sempre Neymar e Ronaldinho. A jóia do Santos roubou a bola, deu um drible no zagueiro e sofreu a falta na entrada da área. O camisa 10 pegou a bola, ajeitou e bateu com perfeição. Um a um no placar e o fim de um jejum de Ronaldinho, que não marcava há 4 anos com a camisa da seleção.
Aos 39 veio a virada. Marcelo, o melhor em campo, fez grande jogada e individual e marcou um golaço que colocou o Brasil na frente. Os Mexicanos não acreditavam que perdiam para uma equipe com um a menos. Só se esqueciam que a equipe com 10 era a seleção brasileira.
A atuação não foi perfeita, mas com certeza foi a melhor sob o comando de Mano. O time mostrou consistência, padrão de jogo e vontade de ganhar. Tudo isso contra um adversário forte e jogando com um a menos metade do jogo. Os bravos torcedores que se mantiveram no sofá até o fim do jogo presenciaram o que todos esperamos que seja a volta da verdadeira seleção brasileira.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Quem se importa?

Semana passada a CBF divulgou o calendário do futebol brasileiro para 2012. Apesar de 2011 vir gerando bastantes discussões em torno dos desfalques que as convocações das seleções provocam nos clubes brasileiros, a entidade parece não se incomodar muito com a questão. As datas escolhidas para o próximo ano não resolverão o problema enfrentados pelos clubes esse ano e ainda atrapalharão, além do Brasileirão, a final da Copa do Brasil.
Dois fatos chamam bastante atenção na organização da próxima temporada: primeiro, a CBF deixou claro não se importar se os times brasileiros terão suas equipes desfalcadas em momentos decisivos no ano que vem; segundo, os dirigentes dos clubes demonstraram também não se incomodar, já que cinco dias após a definição das datas, nenhum clube se manifestou contra as decisões tomadas.
Em 2011, somando as partidas entre a seleção sub-20 e a principal, até a vigésima oitava rodada, os clubes do Campeonato Brasileiro enfrentaram desfalque devido ás convocações em 16 rodadas. Ou seja, até agora, em mais da metade da competição alguns clubes não puderam contar com seus melhores jogadores por eles estarem servindo a sua seleção.
Esse absurdo se repetirá em 2012. De acordo com o calendário divulgado, somando as datas dos amistosos da seleção, as datas do superclássico das Américas e as dos jogos Olímpicos, os clubes terão desfalques em 15 rodadas do Brasileirão. E,  mais alarmante ainda, é que a data das Olimpíadas coincide com a final da Copa do Brasil. Um clube como o São Paulo, por exemplo, pode ficar sem o Lucas (destaque do time e com idade olímpica) em 15 jogos do Campeonato Brasileiro e de fora da final da outra competição nacional.
Os dirigentes dos clubes brasileiros não manifestaram uma crítica ao futuro calendário. Pode até parecer estranho, mas não é. O fato é que a maioria não se importa se o clube esta sendo desfalcado ou não. A reclamação na imprensa faz parte de uma aparência, uma propaganda, na qual os dirigentes querem passar a imagem de que fazem todo o possível para defender os interesses da torcida.
Ney Franco, técnico das seleções de base do Brasil, afirmou que a maioria dos dirigentes quando tem seus jogadores convocados, reclamam da ausência de seus “craques” para os jornalistas, mas logo após isso,  ligam para ele e para Mano Menezes para agradecer a convocação. Ser chamado pela seleção representa uma supervalorização para o atleta, ou seja, uma venda por um valor maior, e consequentemente um lucro maior para o “clube”. Isso é o que realmente interessa aos cartolas brasileiros.
A CBF alega não poder parar as competições nacionais a todas as convocações por causa do prazo para término dos campeonatos, do tempo de férias que os atletas devem ter, do período de descanso entre os jogos e outros fatores. Se não há como paralisar em todas as datas que coincidam com jogos da seleção, sem dúvida isso pode ao menos ser feito em algumas partidas.
Ao contrário do que alegam os organizadores do calendário, o campeonato nacional pode parar sim em mais vezes do que eles definiram, como ocorre na maioria dos campeonatos pelo mundo. Além disso, as datas poderiam ser reorganizadas de forma que os clubes percam seus principais jogadores ( quando não houver solução) no início dos campeonatos, e não, em momentos decisivos como vem ocorrendo este ano.
Mais importante até do que a questão do calendário, é que se a CBF realmente estivesse preocupada com o desempenho de seus clubes, ela mandaria haver maior bom senso nas listas realizadas pelo técnico da seleção principal de futebol. É inadmissível um jogador ser convocado (desfalcando sua equipe em um momento tão importante) para ficar no banco de reservas sem chance de participar das partidas. Na verdade, há muito tempo que vem faltando bom senso para quem comanda o futebol brasileiro.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Quem é o líder do Brasileirão?

O jogo era do líder do Campeonato contra o time que ocupava a oitava colocação. A única diferença entre o jogo e a tabela é que o primeiro colocado não era o Internacional e nem o time do meio tabela era o Vasco. O colarado atuou como se defendesse a liderança da competição jogando em casa, dominou a partida desde o início e o resultado de 3 a 0 foi justo, mas a diferença ainda poderia ter sido maior se não fosse o goleiro vascaíno.
 A partida era fundamental para as duas equipes. Só a vitória interessava ao Vasco que queria se manter no topo, assim como ao Internacional que precisava vencer para entrar  de vez na briga pela Libertadores. Com a vitória colorada, o time gaúcho encostou no G-5 ficando a 3 pontos do Botafogo, enquanto o Vasco caiu para a segunda colocação e, agora,  está a um ponto atrás do Corinthians.
O Inter entrou em campo sabendo exatamente o que fazer. Virando bem o jogo de um lado para o outro, marcando em cima e contando com um D’Alessandro inspiradíssimo, o time gaúcho aos 15 minutos já tinha criado duas boas chances e obrigado Fernando Prass a fazer boas defesas. Encurralando o adversário, se o Internacional tivesse saído ganhando no primeiro tempo o placar teria sido mais justo que o empate sem gols.
No segundo tempo, o colarado continuou dominando o jogo com D’ Ale desequilibrando a partida no Beira-Rio. Não demorou para o Argentino fazer o primeiro gol do jogo ao receber livre bom passe dentro da área. Sem ser ameaçado, o Internacional continuou tocando a bola e em dois cruzamentos da esquerda encontrou jogadores sozinhos na área adversária. Os gols de Índio e Tinga fecharam uma atuação e uma goleada incontestável do Inter.
Quem não assistiu ao jogo deve estranhar a superioridade do Inter, afinal, o Vasco era o líder do Campeonato. Mas, a verdade, é que o time que entrou em campo nesse domingo esteve longe de representar o primeiro colocado do Brasileiro. Apático, o Vasco foi dominado o jogo todo, e não é exagero afirmar que, tirando Fernando Prass, todo o time cruzmaltino jogou muito mal.
Nem parecia que a partida era tão importante para o time carioca.  O que se viu em campo foi um Vasco desligado, errando passes infantis, sem inspiração individual e muito mal armado em campo. Se sem Dedé já se sabia que a defesa vascaína passaria por dificuldades, o ataque foi decepcionante. Felipe, Diego Souza, Éder Luís e Alecsandro estiveram apagados em campo, sendo Felipe substituído ainda no intervalo do primeiro para o segundo tempo.
Apesar de na primeira etapa, ter dado sorte e não sair perdendo, na segunda não teve jeito. Nos 3 gols sofridos nos 45 minutos finais, os jogadores colorados estavam completamente sozinhos dentro da área do Vasco. Além dos erros de posicionamento, o time carioca não conseguiu manter a posse de bola no seu meio de campo, o que permitiu que o Inter dominasse a partida com facilidade.
O Internacional mostrou o que se esperava dele no início do Campeonato Brasileiro. Se jogasse assim a competição inteira com certeza o time gaúcho estaria brigando na ponta da tabela Já o Vasco vai precisar melhorar muito se quiser voltar a primeira colocação. Um time que deseja ser campeão brasileiro não pode realizar uma partida tão ruim quanto a que fez no último jogo, principalmente na reta final da competição.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A diferença não esta no Messi

Começa hoje a Eliminatória para a Copa do Mundo de 2014 realizada no Brasil. Já que o país sede não participa da competição, as atenções do torneio estão voltadas para as outras duas potências futebolísticas da América do Sul além de nós: Argentina e Uruguai. 
Com o bom momento dos Uruguaios, a crise do futebol argentino ganha contornos mais dramáticos.A principal questão em cima da estréia dos hermanos hoje contra o Chile  é sobre a diferença de rendimento do Messi com a camisa da seleção e com a do Barcelona.
A torcida argentina criticar o Messi é totalmente compreensível, afinal, eles são torcedores, passionais e tem todo o direito de agir com a emoção, sem realmente analisar os fatos relacionados ao tema. O inadmissível é parte da imprensa cobrar que o 10 do Barça e da seleção Argentina jogue da mesma forma nas duas equipes.
Semana passada em uma entrevista ao repórter Jorge Kajuru, o ex-atacante Romário falou sobre Messi e chamou a atenção para duas opiniões que merecem ser analisadas. A primeira é em relação a forma que o clube e a seleção jogam. Já a segunda é em relação ao fator psicológico que interfere no desempenho das equipes.
Sobre a forma de jogar, Romário afirmou que o Barcelona tem como característica jogar em função de um atleta. Segundo o ex-atacante, foi assim com ele próprio, como com Ronaldo Fenômeno, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e com o próprio Messi. Isto seria essencial para o desempenho de Messi. Esta forma de se postar em campo, para que ele consiga render seu máximo, não ocorre na seleção argentina.
Perguntado se faltava ao Messi “ganhar uma Copa do Mundo sozinho”, Romário afirmou que nenhum jogador fará isso de novo. De acordo com ele, atualmente os jogadores das seleções ( não só da Argentina), não respeitam mais as individualidades dos craques como antes. Ou seja, em 94 os jogadores aceitavam ser coadjuvantes para Romário brilhar e atualmente os atletas já não aceitam ficar na sombra do principal jogador.
Ainda que tendo esses 2 fatores, o que mais chama atenção e serve de justificativa para um rendimento não tão bom na seleção é o abismo técnico entre as duas equipes. Analisando o meio campo da seleção argentina e o do Barcelona, a diferença de criatividade do Barcelona e da Argentina é gritante.
A seleção joga com 4 jogadores no meio campo sendo eles 3 volantes (Banega, Sosa e Braña) e um meia ofensivo ( Dí Maria). Já o clube joga com um volante ( Busquetes) e dois armadores ( Xavi e Thiago Alcântra). Comparando a qualidade entre os jogadores, não é nenhum absurdo afirmar que, sozinho, Xavi é capaz de criar mais condições para Messi jogar do que o meio campo inteiro da seleção Argentina.
Essa análise, ainda não considera os esquemas táticos das duas equipes e se o estilo é de jogo é de passes curtos, como o Barcelona, ou se tenta imprimir velocidade apostando em jogadas individuais como faz a Argentina. Por último, na comparação entre os companheiros de Messi, vale lembrar que na escalação citada do Barça não constam Iniesta e Fábregas machucados. Além disso, Iniesta e Xavi ( meias do clube catalão) são, respectivamente, segundo e terceiro melhores jogadores do mundo.
Não é difícil notar que o motivo para o Messi não ter o mesmo desempenho em seu clube e na seleção não passa pela sua falta de capacidade e sim, por uma série de diferenças que há entre jogar nos dois times. É impossível que ele renda da mesma forma, já que a equipe do Barcelona é muito superior a da Argentina e a forma de jogar de seu clube favorece muito mais o seu futebol que a adotada pela seleção. Messi é um só, a diferença é aonde ele joga.

Hoje, na estréia contra o Chile, o técnico Sabella promete dar total liberdade para Messi e Di María, com o intuito de fazer o melhor do mundo render na seleção o mesmo futebol do Barça. Aliado a isso, o fato da seleção chilena ter característica ofensiva, indica que ela dará espaço para que Messi consiga brilhar. Cabe a nós, como amantes do futebol, torcer para que ele passe a render na Argentina o mesmo que no clube. Cabe a nós, como brasileiros, torcer para a tentativa de Sabella não de certo.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

MANDOU MAL PROFESSOR

O jogo entre Aurora e Vasco na noite de ontem não tem muita coisa a se comentar. Jogo ruim, com duas equipes fracas ( Vasco com o time reserva), o já esperado problema da altitude e, consequentemente, a vitória do time da casa. Porém, o que mais chamou a atenção não foi nenhum dos fatores que eram esperados antes do jogo e sim, o péssimo desempenho do técnico vascaíno Critóvão Borges.
O principal motivo para o resultado adverso esteve no banco do Vasco e não, dentro de campo.Mesmo sendo o time de reservas, Critóvão escalou muito mal a equipe. Primeiro, porque inexplicavelmente, deixou Élton no banco e Patrick, que perdeu pelo menos 3 gols claros, foi o titular.  A justificativa para a atitude não pode ser poupar o jogador já que Élton está suspenso no Brasileiro e não enfrenta o Internacional durante o fim de semana, então poderia jogar sem problemas.
Cristóvão escalou mal a equipe e o Vasco acabou perdendo para um adversário fraco.
Apesar disso, o erro mais grave de Cristóvão foi em relação a Nilton. Até acho que seja um jogador razoável e que possa ser útil para o Vasco, como bom integrante de elenco. Mas, definitivamente, esse não era o jogo para escalá-lo. Se havia necessidade de dar ritmo e observar o jogador, o técnico deveria ter posto alguém na sobra da zaga para justamente não ocorrer o que houve no jogo.
Nilton não jogava há mais de um ano. Visivelmente sem ritmo de jogo, foi escalado improvisado ( em uma área que não domina o posicionamento) e em um jogo na altitude. O resultado foi o que se viu em campo. Dois gols com atacantes do Aurora ganhando na velocidade do volante que atuou como zagueiro. É muito difícil explicar como Cristóvão não viu que o jogador não tinha menor condição de desempenhar uma função diferente da que está acostumado, nas suas condições físicas e na situação específica desse jogo. Somando isso a questão do Élton, pode-se afirmar que apesar do time reserva do Vasco ser ruim, o resultado pode por na conta do “ professor”.
Nos 45 minutos iniciais, o Vasco não sentiu a famosa altitude. Com as duas equipes jogando mal e errando passes, condizentes com o nível técnico dos dois times, a partida era muito ruim. Tanto que no primeiro tempo só teve 3 bons momentos. O primeiro Bernardo bateu uma falta com algum perigo. O segundo momento foi em boa jogada de Fágner, único titular de linha do time carioca, que tocou para Patrick perder um gol cara a cara com o goleiro. E o terceiro foi quando Fágner errou o lançamento, o goleiro do Aurora falhou muito feio e Bernardo fez 1 a 0.
Voltando para o segundo tempo, o líder do Campeonato Boliviano foi para cima para tentar virar o jogo, já que jogando em casa só a vitória interessava. Jogando no ataque, o Aurora deixava espaços no seu sistema defensivo e o Vasco passou a atacar com mais perigo. Com o passar da partida e sentindo a altitude, a zaga cruzmaltina cansou no segundo tempo e passou a perder praticamente todos os lances em que os atacantes do time boliviano imprimiam velocidade.
Ainda no início da segundo etapa, o time de casa empatou o jogo em uma bola mal afastada por Nilton. O jogo se manteve equilibrado e com os espaços dados pelos dois times, as equipes passaram a criar algumas oportunidades, com o goleiro do Aurora fazendo grandes defesas. Em duas falhas de Nilton, que mal posicionado não conseguiu acompanhar os atacantes adversários na velocidade, o time da Bolívia chegou ao segundo e terceiro gol. O mandante ainda teve um jogador expulso, mas pouco influenciou, até pela falta de fôlego do time do Vasco.
Apesar de 3 a 1 não ter sido um placar justo ( 3 a 2 seria ideal para o jogo), o resultado acabou não sendo tão ruim para o Vasco. O Aurora é muito fraco e não deve ser difícil o time carioca fazer 2 a 0 jogando com os titulares em São Januário.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

POLITICAMENTE CHATOS

Após a rodada do fim de semana, voltou aos meios de comunicação a discussão sobre a questão dos gândulas retardarem ou correrem para reinicar o jogo com mais rapidez. O debate do tema ocorreu devido ao que aconteceu no jogo entre São Paulo X Flamengo, quando os gândulas sumiram com as bolas que ficavam atrás do gol do Flamengo nos momentos em que Rogério Ceni cobrava faltas.Faziam isto para não possibilitar o contra-ataque para o time carioca enquanto o goleiro tricolor não voltasse ao seu gol.
Tomados pela moda do discurso politicamente correto,os jornalistas começaram uma série de críticas ao ocorrido, que passou a ser o exemplo de atitude antidesportiva e falta de ética no esporte. O caso chegou a ser levado para o STJD e pode levar o São Paulo a ser punido por isso.  
Vendo os lances e a repercussão sobre eles, a primeira coisa que pensei é que esses jornalistas nunca jogaram futebol na vida. Transformaram um lance banal, algo do jogo, que a equipe faz por jogar em casa, em um ato absurdo, criminoso. Qualquer pessoa que já jogou futebol sabe que retardar o início de jogo alguns segunda faz parte do futebol. Alguns podem achar que esta errado, outros que faz parte de ser visitante no jogo, mas o certo é que é um absurdo o alarde que foi feito sobre o tema.
Quem tem que se incomodar se o gândula demora ou não é o adversário e os torcedores. Assim como ocorreu na partida, cabe aos atletas fazerem o que os jogadores do Flamengo fizeram, que é reclamar com o juiz. É esse o papel que deve servir de protesto e só. No resto, os jogos são um na casa de um time e outro no estádio do adversário, os dois tem as mesmas chances de usar desse mando favorecendo a si, por isso ser mandante é um diferencial. 
Não estou defendendo trapacear, nem que o time visitante mereça passar por várias situações adversas como falta de luz em vestiário e coisas do tipo, mas tem muitas questões que hoje são criticadas de forma efusiva e que quem joga futebol sabe que é natural do esporte. Se a outra equipe se sentir lesada por essa atitude, tem o direito de fazer o mesmo quando ela for mandante do confronto com esta equipe.
Há hoje no futebol uma onda de pensamentos que visam coibir certas atitudes que atrapalham o esporte. Porém, com o intuito de “melhorar” e transformar o futebol em um esporte padrão e exemplar, os organizadores da modalidade estão passando dos limites, atingindo certas esferas que são marcas do futebol. São formas de expressão do esporte que nasceram junto com o primeiro chute em uma bola.
O caso dos gândulas foi simplesmente uma estratégia que o São Paulo utilizou por jogar em casa. Se fosse no Rio, o Flamengo colocaria gândulas extras para adiantar o seu contra-ataque. O time paulista não foi desleal com o adversário, não o desrespeitou nem nada do tipo. Simplesmente usou uma tática por ser o mandante do jogo e que outros clubes usam também quando são mandantes. E os politicamente chatos que passam dias reclamando de coisas banais, fizeram um alarde absurdo sobre algo que é simplesmente uma característica intrínseca ao futebol e que nunca vai acabar. 

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O OUTRO LADO DA MOEDA

OO
Jovens, de 12 a 21 anos, jogando bem, seja nos profissionais ou nas divisões de base, é quase sempre a mesma história: vendido ainda novo e uma enxurrada de críticas por parte da imprensa, dos torcedores e da opinião pública sobre o próprio jogador e principalmente sobre clubes e empresários.
O pensamento da maioria segue o caminho mais fácil e defendido pela mídia. Apedrejar agentes e clubes que deixam “futuros craques” irem embora cedo é bem simples. Poucas pessoas tentam fazer uma reflexão e pensar no lado destes que normalmente são crucificados. Muito menos, se põe no lugar destas pessoas, já que se fizessem isso, com certeza, teriam atitude semelhante a tomada por eles na maioria das vezes.
Ao contrário do que a imprensa gosta de noticiar, nem todos os jovens que são vendidos cedo são negócios ruins para ambas as partes. Na verdade, na maioria dos casos, a negociação normalmente é benéfica para todos os lados, mas quando isso ocorre, parece que a mídia "esquece" de noticiar esta parte, ou será que é difícil assumir um erro?
 Vale lembrar que jogador de futebol vive fases boas e ruins como qualquer atleta, e uma proposta que vem em uma fase boa pode ser única, assim como esta fase do jogador. Além disso, a carreira é curta, e na maioria dos casos esses meninos vão ter quinze anos de trabalho que devem juntar dinheiro para uma vida toda. Como não se deixar seduzir pelas altas quantias nessa situação?
Somada a questão da fase e da carreira rápida, ainda há a pressão familiar, pois, em muitos casos, o salário de um jovem jogador não é só o seu sustento para a vida toda, mas também o de seus pais, irmãos ou de mais quem faça parte da família. A pressão é muito alta nesses meninos e nem sempre eles correspondem ou conseguem lidar com ela. Será que se decidirem não sair de seu clube e se não vingarem no futebol, o clube vai ficar ao lado do jogador em qualquer situação? Dará suporte ao jovem e sua família mesmo caso ele não de o lucro que o clube quer?
Há alguns meses se instalou uma discussão no futebol brasileiro se Paulo Henrique Ganso deveria ou não sair do Brasil. Todos foram contra, insinuaram que o jogador estaria agindo por dinheiro (como se estivesse errado por isso) e que deveria ficar no Santos. Após a decisão de esperar para sair do clube paulista, o jovem sofreu com algumas lesões e ainda não conseguiu voltar ao nível em que esteve no momento de sua possível negociação. E agora? Caso Ganso não consiga mais jogar o que futebol de antes, será que ele acertou em não aproveitar a chance? A imprensa que o castigou irá ajudá-lo?
Outro exemplo como o de Ganso é do ex-jogador Pedrinho, que jogou no Vasco e no Palmeiras. Apesar de não estar tão envolvido em negociações como o jogador do Santos, Pedrinho era apontado como um futuro craque. Com 21 anos e ídolo do Vasco, teve sua primeira convocação para a seleção. Dois dias antes de se apresentar, sofreu uma grave lesão e nunca mais teve o mesmo futebol. 
Depois da lesão rodou por alguns clubes, mas infelizmente não atingiu o nível que se esperava dele antes da lesão. O caso de Pedrinho é só mais um dos inúmeros exemplos que carreira de jogador de futebol muda do dia para a noite, e nem sempre é possível ficar esperando melhores propostas.
Guilherme, Dudu Cearense, Rafael Sóbis, Daniel Carvalho e Keirrisson são alguns jogadores que saíram jovens do Brasil como futuros grandes jogadores, voltaram, e estão disputando atualmente o Campeonato Brasileiro. No caso desses 5 jogadores citados, todos quando saíram do Brasil e foram críticados assim como seus clubes e empresários. E ainda analisando os 5, nenhum se tornou a promssa que se esperava em cima deles.
Dudu Cearense, por exemplo, teve sua primeira convocação para seleção principal aos 20 anos em 2003. Após se transferir para o Japão foi muito criticado, apesar de ainda ser convocado até o ano de 2007. O jogador rodou muitos países e voltou ao Brasil em 2011, mas com um futebol muito abaixo do esperado, sendo reserva do Atlético-MG que está na zona de rebaixamento do atual Brasileirão. Quando o jogador se transferiu, a imprensa na época falou que era muito novo para sair do Brasil e que o clube e o atleta estavam errados na negociação. E agora? Jogador e clube receberam boa quantia de dinheiro, a qual com certeza não receberiam se Dudu não tivesse saído em 2004 do Vitória.
O caso mais recente desse erro de julgamento aconteceu em 2010. Quando o Vasco vendeu o jovem Phillipe Coutinho, ainda das divisões de base e apontado como uma das maiores promessas do clube, por 10 milhões de reais, a imprensa crucificou a diretoria do Vasco por deixar o menino ir embora.
 Mais de um ano após a venda do jogador, que ainda nos juniores era chamado de gênio, ficou comprovado que, pelo menos por enquanto, Phillipe não rendeu o esperado ao clube que o contratou. O jovem ainda não se firmou e suas atuações são bem abaixo do que a expectativa em cima dele. No mundial Sub-20 deste ano, ele foi a maior decepção da seleção brasileira. Um ano depois de sair do Brasil a única certeza é que hoje Coutinho não vale os 10 milhões de reais que foi pago no passado com a esperança que se tornasse craque.
A mídia brasileira tem que parar de escolher o caminho fácil em suas coberturas. Criticar é mais fácil que apurar e analisar os fatos. Falar que está errado é simples, mas não há retratação e ninguém assume o erro das besteiras ditas. Em vez disso, a imprensa não aprende, continua agindo da mesma forma e molda torcedores de futebol que não raciocinam, só ouvem a opinião dos jornalistas e tomam como verdade suas “ análises” absolutas e sempre (sic) certeiras.