Começa hoje a Eliminatória para a Copa do Mundo de 2014 realizada no Brasil. Já que o país sede não participa da competição, as atenções do torneio estão voltadas para as outras duas potências futebolísticas da América do Sul além de nós: Argentina e Uruguai.
Com o bom momento dos Uruguaios, a crise do futebol argentino ganha contornos mais dramáticos.A principal questão em cima da estréia dos hermanos hoje contra o Chile é sobre a diferença de rendimento do Messi com a camisa da seleção e com a do Barcelona.
A torcida argentina criticar o Messi é totalmente compreensível, afinal, eles são torcedores, passionais e tem todo o direito de agir com a emoção, sem realmente analisar os fatos relacionados ao tema. O inadmissível é parte da imprensa cobrar que o 10 do Barça e da seleção Argentina jogue da mesma forma nas duas equipes.
Semana passada em uma entrevista ao repórter Jorge Kajuru, o ex-atacante Romário falou sobre Messi e chamou a atenção para duas opiniões que merecem ser analisadas. A primeira é em relação a forma que o clube e a seleção jogam. Já a segunda é em relação ao fator psicológico que interfere no desempenho das equipes.
Sobre a forma de jogar, Romário afirmou que o Barcelona tem como característica jogar em função de um atleta. Segundo o ex-atacante, foi assim com ele próprio, como com Ronaldo Fenômeno, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e com o próprio Messi. Isto seria essencial para o desempenho de Messi. Esta forma de se postar em campo, para que ele consiga render seu máximo, não ocorre na seleção argentina.
Perguntado se faltava ao Messi “ganhar uma Copa do Mundo sozinho”, Romário afirmou que nenhum jogador fará isso de novo. De acordo com ele, atualmente os jogadores das seleções ( não só da Argentina), não respeitam mais as individualidades dos craques como antes. Ou seja, em 94 os jogadores aceitavam ser coadjuvantes para Romário brilhar e atualmente os atletas já não aceitam ficar na sombra do principal jogador.
Ainda que tendo esses 2 fatores, o que mais chama atenção e serve de justificativa para um rendimento não tão bom na seleção é o abismo técnico entre as duas equipes. Analisando o meio campo da seleção argentina e o do Barcelona, a diferença de criatividade do Barcelona e da Argentina é gritante.
A seleção joga com 4 jogadores no meio campo sendo eles 3 volantes (Banega, Sosa e Braña) e um meia ofensivo ( Dí Maria). Já o clube joga com um volante ( Busquetes) e dois armadores ( Xavi e Thiago Alcântra). Comparando a qualidade entre os jogadores, não é nenhum absurdo afirmar que, sozinho, Xavi é capaz de criar mais condições para Messi jogar do que o meio campo inteiro da seleção Argentina.
Essa análise, ainda não considera os esquemas táticos das duas equipes e se o estilo é de jogo é de passes curtos, como o Barcelona, ou se tenta imprimir velocidade apostando em jogadas individuais como faz a Argentina. Por último, na comparação entre os companheiros de Messi, vale lembrar que na escalação citada do Barça não constam Iniesta e Fábregas machucados. Além disso, Iniesta e Xavi ( meias do clube catalão) são, respectivamente, segundo e terceiro melhores jogadores do mundo.
Não é difícil notar que o motivo para o Messi não ter o mesmo desempenho em seu clube e na seleção não passa pela sua falta de capacidade e sim, por uma série de diferenças que há entre jogar nos dois times. É impossível que ele renda da mesma forma, já que a equipe do Barcelona é muito superior a da Argentina e a forma de jogar de seu clube favorece muito mais o seu futebol que a adotada pela seleção. Messi é um só, a diferença é aonde ele joga.
Hoje, na estréia contra o Chile, o técnico Sabella promete dar total liberdade para Messi e Di María, com o intuito de fazer o melhor do mundo render na seleção o mesmo futebol do Barça. Aliado a isso, o fato da seleção chilena ter característica ofensiva, indica que ela dará espaço para que Messi consiga brilhar. Cabe a nós, como amantes do futebol, torcer para que ele passe a render na Argentina o mesmo que no clube. Cabe a nós, como brasileiros, torcer para a tentativa de Sabella não de certo.
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