segunda-feira, 17 de outubro de 2011

BIRRA AOS 63 ANOS

Há uma semana mais um problema estourou no Palmeiras. O clube, acostumado com os momentos difíceis na última década, passa pela situação mais delicada desde o seu rebaixamento para a segunda divisão em 2002. 
O ponto alto da crise que se arrasta desde a derrota por 6 a 0 para o Coritiba, há mais de 5 meses, se deu na última semana quando o jogador João Vítor foi agredido por membros de uma torcida organizada na porta da sede do clube. O meio campo e dois amigos se envolveram em uma confusão com cerca de 20 torcedores que acabou com o atleta sendo levado ao hospital muito machucado.
 Desde terça-feira passada o conflito tomou conta dos programas esportivos. Além das diferentes opiniões dadas pelos jornalistas, durante a última semana surgiram também algumas novidades sobre o assunto, principalmente um vídeo,  cujo conteúdo coloca em dúvida a versão inicial de que o jogador seria totalmente vítima na briga. 
 Se foi culpa do atleta ou não. Se a covardia foi dos torcedores ou do atleta e de seus amigos. Se o clube foi negligente ou fez tudo que pode para evitar o fato.Todas essas questões já foram abordadas exaustivamente pela imprensa. Os vídeos sobre a confusão já foram passados e repassados e poucas conclusões se podem tirar do assunto. 
 Neste momento, o que vale a pena questionar é  como a situação foi conduzida pelos dirigentes palmeirenses e, principalmente, pelo técnico Luiz Felipe Scolari. O caminho escolhido por Felipão foi o pior possível. Ao invés de contornar e amenizar o ocorrido, aumentou o problema e o fez ganhar proporções ainda maiores.
Ao fato ser noticiado, todos se colocaram ao lado do jogador e começaram a ser disparadas críticas as torcidas organizadas. Desde o primeiro momento, o principal nome na defesa dos supostos culpados foi o técnico palmeirense, que há pouco tempo teve alguns problemas com o mesmo grupo que agrediu João Vítor.
A atitude do treinador espantou a todos. Crítico desta facção da torcida, ele repetia em todas as declarações que a imprensa não sabia de todo o ocorrido e a necessidade de averiguar os dois lados da história. Felipão realmente estava correto, mas para se postar dessa forma, com certeza ele já sabia de fatos desconhecidos pelos jornalistas. Informações que ele não quis passar por uma série de desentendimentos recentes que teve com a imprensa esportiva.
Devido, inclusive a problemas com os repórteres, o treinador vem, por exemplo, constantemente proibindo seus jogadores de darem entrevista. Voltando ao caso da agressão, claramente Felipão escondeu informações da imprensa. A intenção dele era não ajudar quem cobre o clube e sim, a todo instante provocar os jornalistas afirmando que eles não sabiam o que de fato ocorreu.
 O problema é que a birra do técnico teve consequências inesperadas. O principal resultado dessa postura jogou o clube direto para outra crise. Um dos principais nomes do elenco, o atacante Kléber, questionou a postura do treinador sobre o ocorrido. As reclamações do centroavante geraram uma série de atritos, fazendo a relação entre o atleta e o técnico ficarem insustentáveis. Resultado: o Palmeiras perdeu o jogador de mais qualidade no seu grupo e ele será vendido por um valor muito abaixo do que seria negociado em condições normais.
Isso já seria o suficiente para ficar explícito a infelicidade de Scolari no caminho traçado, mas além do caso Kléber, a atitude dele gerou outra consequência negativa. Uma situação que poderia ter sido resolvida rapidamente, caso, desde o início, fosse divulgado o o que realmente ocorreu, vem durando muito mais tempo, devido a imprensa precisar correr atrás de informações não liberadas pelo técnico. Os jornalistas demoraram alguns dias para descobrir os fatos conhecidos pelo treinador em poucas horas. Isto só serviu para alongar um tema que o técnico poderia ter resolvido mais rapidamente.
Felipão colocou seus problemas acima dos do Palmeiras. Não pensou no que sua atitude poderia acarretar para o clube, papel primordial para um técnico de futebol. Negar suas qualidades como treinador é absurdo, mas está na hora dele repensar algumas atitudes que vem tendo no comando de sua equipe, afinal o maior prejudicado nessa história mais uma vez é o Palmeiras

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