A expectativa era de mais um jogo sem graça. Véspera de feriado, uns preferiram sair de casa, outros foram dormir cedo, mas o certo é que ninguém tinha muita expectativa para o confronto entre México e Brasil. Porém, quem foi guerreiro, ficou em casa para acompanhar a seleção teve sua recompensa. O Brasil jogou bem, ganhou de um adversário forte na casa dele, de virada e com um jogador a menos. Provavelmente nem Mano Menezes esperava por isso.
Foram poucas as alterações que a seleção teve em relação as últimas partidas. Mesmo não mexendo muito, a diferença entre ontem e as últimas apresentações foi muito grande. Alguns dos novos titulares, como Marcelo e Hulk, jogaram muito bem, outros como Lucas Leiva e Fernandinho, podem não ter sido tão brilhantes, mas estiveram melhor do que os que substituíram e também foram importantes para o crescimento da equipe.
Se contra a Costa Rica o Brasil foi apático, ficou tocando bola, ontem foi bem diferente. Obviamente, não seria tão fácil, afinal, enfrentava uma seleção de bastante qualidade dentro de sua casa. Porém, o Brasil atuou como Brasil, tomou conta do meio campo e do jogo, e teve a iniciativa da partida.
O México tentou pressionar o Brasil desde o início. Mostrando bom toque de bola e empolgado pela torcida, a seleção local tentava encurralar a seleção canarinho. Quando o Brasil equilibrava a partida, veio o cruzamento da direita e David Luiz fez gol contra, abrindo o placar para o time mexicano.
Alguns, dos poucos que ainda estavam em frente da TV, foram dormir. Sentenciaram que seria mais um jogo ruim do time de Mano Menezes. Com a desvantagem, a seleção passou a buscar mais o jogo, querer mais o gol e partiu para cima dos Mexicanos. Jogando um futebol de bom toque de bola, buscando o gol a todo instante e marcando a saída de bola, envolvia o adversário e perdeu, ainda no primeiro tempo, algumas chances de empatar com Hulk e Neymar.
Apesar da derrota parcial, o desempenho da seleção era animador, tanto para o segundo tempo quanto para a continuidade do trabalho de Mano. Hulk e Marcelo, que começaram como titulares ontem, eram os melhores brasileiros em campo, jogando bem e com muita disposição.
Quando todos já falavam em uma virada no segundo tempo, aos 44 minutos da etapa inicial Daniel Alves cometeu penalti, recebeu o segundo amarelo e foi expulso. Se o México fizesse o segundo gol a reação ficaria quase impossível e, mesmo se não marcasse, ainda seria muito difícil, agora que a seleção jogaria com um a menos. Jéfferson voou e fez uma grande defesa no penalti batido por Guardado. Com 10 em campo, quem via o jogo, em casa ou no estádio, passou os 15 minutos do intervalo querendo saber como o Brasil se colocaria em campo no segundo tempo.
Na volta para a segunda etapa, Mano Menezes colocou Adriano no lugar de Lucas para recompor a perda na lateral direita. Sem o são paulino, Neymar foi jogar no meio ao lado de Ronaldinho e Hulk ficou isolado no ataque. Com um homem a menos na frente, o Brasil perdeu poder ofensivo, o jogo ficou equilibrado, mas ao contrário do que se esperava o México não cresceu na partida. Apesar de não criar muitas chances, a seleção brasileira continuou com maior ímpeto ofensivo que o adversário.
Apesar de bem postado no meio campo, e sem deixar espaços atrás, o México não ameaçava o gol brasileiro. O único lance de perigo da equipe no segundo tempo foi em uma boa cabeçada de Chicharito que Jéfferson fez grande defesa.
Logo depois, aos 33 minutos, os dois principais nomes da seleção brasileira resolveram aparecer. Neymar e Ronaldinho não estavam bem na partida, mas são sempre Neymar e Ronaldinho. A jóia do Santos roubou a bola, deu um drible no zagueiro e sofreu a falta na entrada da área. O camisa 10 pegou a bola, ajeitou e bateu com perfeição. Um a um no placar e o fim de um jejum de Ronaldinho, que não marcava há 4 anos com a camisa da seleção.
Aos 39 veio a virada. Marcelo, o melhor em campo, fez grande jogada e individual e marcou um golaço que colocou o Brasil na frente. Os Mexicanos não acreditavam que perdiam para uma equipe com um a menos. Só se esqueciam que a equipe com 10 era a seleção brasileira.
A atuação não foi perfeita, mas com certeza foi a melhor sob o comando de Mano. O time mostrou consistência, padrão de jogo e vontade de ganhar. Tudo isso contra um adversário forte e jogando com um a menos metade do jogo. Os bravos torcedores que se mantiveram no sofá até o fim do jogo presenciaram o que todos esperamos que seja a volta da verdadeira seleção brasileira.
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