terça-feira, 11 de outubro de 2011

Quem se importa?

Semana passada a CBF divulgou o calendário do futebol brasileiro para 2012. Apesar de 2011 vir gerando bastantes discussões em torno dos desfalques que as convocações das seleções provocam nos clubes brasileiros, a entidade parece não se incomodar muito com a questão. As datas escolhidas para o próximo ano não resolverão o problema enfrentados pelos clubes esse ano e ainda atrapalharão, além do Brasileirão, a final da Copa do Brasil.
Dois fatos chamam bastante atenção na organização da próxima temporada: primeiro, a CBF deixou claro não se importar se os times brasileiros terão suas equipes desfalcadas em momentos decisivos no ano que vem; segundo, os dirigentes dos clubes demonstraram também não se incomodar, já que cinco dias após a definição das datas, nenhum clube se manifestou contra as decisões tomadas.
Em 2011, somando as partidas entre a seleção sub-20 e a principal, até a vigésima oitava rodada, os clubes do Campeonato Brasileiro enfrentaram desfalque devido ás convocações em 16 rodadas. Ou seja, até agora, em mais da metade da competição alguns clubes não puderam contar com seus melhores jogadores por eles estarem servindo a sua seleção.
Esse absurdo se repetirá em 2012. De acordo com o calendário divulgado, somando as datas dos amistosos da seleção, as datas do superclássico das Américas e as dos jogos Olímpicos, os clubes terão desfalques em 15 rodadas do Brasileirão. E,  mais alarmante ainda, é que a data das Olimpíadas coincide com a final da Copa do Brasil. Um clube como o São Paulo, por exemplo, pode ficar sem o Lucas (destaque do time e com idade olímpica) em 15 jogos do Campeonato Brasileiro e de fora da final da outra competição nacional.
Os dirigentes dos clubes brasileiros não manifestaram uma crítica ao futuro calendário. Pode até parecer estranho, mas não é. O fato é que a maioria não se importa se o clube esta sendo desfalcado ou não. A reclamação na imprensa faz parte de uma aparência, uma propaganda, na qual os dirigentes querem passar a imagem de que fazem todo o possível para defender os interesses da torcida.
Ney Franco, técnico das seleções de base do Brasil, afirmou que a maioria dos dirigentes quando tem seus jogadores convocados, reclamam da ausência de seus “craques” para os jornalistas, mas logo após isso,  ligam para ele e para Mano Menezes para agradecer a convocação. Ser chamado pela seleção representa uma supervalorização para o atleta, ou seja, uma venda por um valor maior, e consequentemente um lucro maior para o “clube”. Isso é o que realmente interessa aos cartolas brasileiros.
A CBF alega não poder parar as competições nacionais a todas as convocações por causa do prazo para término dos campeonatos, do tempo de férias que os atletas devem ter, do período de descanso entre os jogos e outros fatores. Se não há como paralisar em todas as datas que coincidam com jogos da seleção, sem dúvida isso pode ao menos ser feito em algumas partidas.
Ao contrário do que alegam os organizadores do calendário, o campeonato nacional pode parar sim em mais vezes do que eles definiram, como ocorre na maioria dos campeonatos pelo mundo. Além disso, as datas poderiam ser reorganizadas de forma que os clubes percam seus principais jogadores ( quando não houver solução) no início dos campeonatos, e não, em momentos decisivos como vem ocorrendo este ano.
Mais importante até do que a questão do calendário, é que se a CBF realmente estivesse preocupada com o desempenho de seus clubes, ela mandaria haver maior bom senso nas listas realizadas pelo técnico da seleção principal de futebol. É inadmissível um jogador ser convocado (desfalcando sua equipe em um momento tão importante) para ficar no banco de reservas sem chance de participar das partidas. Na verdade, há muito tempo que vem faltando bom senso para quem comanda o futebol brasileiro.

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