quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

copINHA

Ia comentar a Copa São Paulo só depois do seu fim, mas depois dessas duas semanas de competição, me sinto na obrigação de falar algo. Todo mundo acompanhando, pensando em quem será o campeão, mas vamos ao que interessa: Do que adianta ganhar a Copinha?
Alguém precisa lembrar aos clubes, a imprensa e as torcidas que conquistar a Copa São Paulo não representa nada. Esse deveria ser um torneio para revelar atletas, observar quais jogadores poderiam ser usados na equipe de cima, e não, para colocar mais um troféu na estante do clube.
Pensando em quem vencerá, ou em quais clubes passaram de fase, ou quais foram eliminados, deixamos de lado o que realmente importa: Os meninos estão jogando bem? Há grandes revelações? Muitos poderão ser aproveitados e se destacarão no profissional?
Infelizmente a resposta é não.
Tirando pouquíssimos clubes, contáveis nos dedos de uma mão, que se preocupam com o futebol jogado e não com a conquista do torneio, chega a dar tristeza ver os times da Copinha.
Um monte de meninos limitadíssimos, sem consciência tática, correndo de um lado para o outro parecendo dois bandos se enfrentando em campo. 
Na maioria dos casos, a maior qualidade desses jovens é o condicionamento físico. 
Deprimente.
Se eu não soubesse que era a Copa São Paulo, com certeza acharia que era uma pelada uniformizada passando na televisão.
Enquanto isso, todo mundo torcendo e comentando os jogos, quando na verdade, o que realmente deveria ser observado é o jogador e não o resultado.
O mais importante não deveria ser campeão do torneio, e sim, preparar 3, 4 jogadores para subir para o profissional em condições de brigar pela vaga de titular.
Todo ano e em todos os grandes clubes.
Não adianta promover atletas, só para dizer que usa as divisões de base, se os que chegam ao profissional mal sabem chutar uma bola.
Eu estou exagerando? Ou será que não exigimos por estarmos acostumados com a mediocridade das nossas divisões de base e consequentemente do nosso Brasileirão?
O campeonato vai acabar, o vencedor vai ser exaltado e fica por aí. Deve ter sido muito válido para o clube ganhar esse título incrivelmente inexpressivo.
Acordem! Enquanto a preocupação na base for para ser campeão, a situação vai continuar a mesma. Times jogando para ganhar e poucos jogadores talentosos sendo revelados.
Os clubes deveriam se preocupar em ensinar os meninos os fundamentos, a se posicionar, como jogar coletivamente e não simplesmente ganhar os jogos da forma que der.
Quantos zagueiros vemos que só fazem faltas? Laterais que não sabem cruzar? Meias sem visão de jogo? Atacantes que não sabem chutar?
Isso passa pelo trabalho ruim na divisão de base. A vontade de vencer vencendo a preocupação em ensinar.
Internacional e Santos, duas das equipes que mais aproveitam seus jovens no time profissional, não são campeões da Copinha há 14 e há 28 anos, respectivamente.
Os seus trabalhos são ruins então?
Talvez seja apenas uma coincidência, talvez um indício.
Na base, o mais importante não é ser campeão e sim, formar grandes jogadores. Ou pelo menos, deveria ser.

Neymar não precisou ganhar a Copinha para merecer atenção.

Nenhum comentário:

Postar um comentário