domingo, 18 de dezembro de 2011

A realidade veio á tona

Barcelona ganhou 13 dos últimos 16 torneios que disputou
Teve gente achando que dava para o Santos. Teve gente falando que o Neymar era melhor que o Messi.
O confronto de hoje, entre Barcelona e Santos, foi ótimo para colocar as coisas no seu devido lugar. Agora, alguém ainda tem dúvida da diferença de qualidade entre Barcelona e Santos, ou entre Messi e Neymar?
Não tem jeito. O Barcelona é disparado o melhor time do mundo. Depois da goleada, é fácil ver um monte de gente dizendo isso, mas até as 8:30 da manhã ainda tinha jornalista duvidando da diferença entre a equipe catalã e a paulista.
Está na hora de pararmos de nos esconder atrás do nosso título de país do futebol. Está na hora da imprensa brasileira começar a falar a verdade e parar de iludir os torcedores.
Uma vitória ou outra, na base da retranca, em Mundial, não faz um clube ser o melhor do mundo. Massacres de 4 a 0, como o de hoje, sim.
Enquanto for vendida a ideia de que nosso Brasileirão está em um nível altíssimo, que as equipes pequenas daqui são muito boas enquanto as europeias são fracas e que aqui temos 8 times fortes e lá só 2, vamos continuar na mesma.
Seguindo esse discurso fácil, de supervalorização do futebol brasileiro em detrimento do europeu, a imprensa esportiva molda a opinião pública. O jornalista fala porque é o que o espectador quer ouvir. O ouvinte gosta e reproduz. E assim, vivemos na ilusão do nosso “maravilhoso” futebol nacional.
Esse é só um exemplo da distorção feita atualmente. O jornalista Sérgio Xavier falou que o Edu Dracena é melhor que o Piqué. Renato Maurício Prado avaliou de forma equânime o trabalho de Guardiola e Muricy Ramalho.
Só pode ser brincadeira isso!
O Santos não tinha a menor chance de ser campeão hoje. Não tinha como haver surpresa. E não é só porque o Barcelona é genial e um dos melhores times de todos os tempos.
A probabilidade de vitória do Santos era 0 porque sua zaga é desastrosa. Durval, Edu Dracena e Bruno Rodrigo não dão meio zagueiro do time espanhol. Os dois primeiros, e mais o lateral esquerdo Léo, já estão velhos. Nunca conseguiriam acompanhar o ritmo de Messi, Xavi, Iniesta e Cia.
Alguém precisa falar isso!
O resultado de hoje foi 4 a 0 porque o Barcelona foi bonzinho com o Santos. Se apertasse poderia ter feito muito mais.
A derrota e a diferença escancarada entre Barcelona e Santos tem suas razões espalhadas pelo futebol brasileiro, não só na Vila Belmiro.
Mentalidade, formação de jogadores, empresários na categoria de base, imprensa são alguns dos inúmeros motivos.
Tudo isso tem que ser mudado. Os fatores mais importantes, que envolvem diretamente os atletas e técnicos, vão levar mais tempo para serem alterados, são projetos longos, que eram para ter começado ontem. 
 O que pode mudar agora, de imediato, é a postura com que encaramos fatos óbvios.
Hoje, o Messi é MUITO melhor que o Neymar. O Barcelona é infinitamente superior a todos os times brasileiros e ganharia sim, a nossa série A, com o pé nas costas, ao contrário do que é dito por aí. 
Seria campeão com 10, 15 pontos de diferença, independente se isso é ou não o que a gente queira.
Espero que tenha ficado claro com o jogo de hoje. Torcida e jornalistas podem falar o quanto quiserem que não vão mudar a realidade.
Vamos parar com a maquiagem sobre o nosso futebol. Com críticas reais, essa situação pode começar a mudar, e assim, temos possibilidade de sair do atual comodismo com o “brilhante” (sic) trabalho que se tem feito no Brasil.
Na entrevista coletiva, Guardiola falou duas coisas muito importantes: 
Primeiro, que 9 jogadores que estiveram em campo hoje foram formados no Barcelona. O que nos remete a fraqueza da maioria das categorias de base dos grandes clubes no Brasil.
Vale lembrar que ele não contou com Pique e Fábregas, que foram das divisões de base do Barça, saíram e foram revelados em outras equipes, e agora voltaram.
Segundo, que seu time joga de acordo com o que seus avós contavam a ele sobre o futebol brasileiro. Passes rápidos, precisos, habilidade, movimentação e dribles.
A aula hoje foi muito mais do que dentro de campo. Para os dirigentes fica uma lição sobre como gerir um clube e suas categorias de base. Para a imprensa o ensinamento de que devemos refletir e analisar mais criticamente nossas equipes.
Talvez, se vejamos que o nosso futebol não está essa maravilha afirmada por aí, um dia joguemos igual a forma que os avós do Guardiola contaram para ele.

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