quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Seguindo o manual

Real Madrid, Vasco, Flamengo ou Boca. Não tem diferença de liga, país, camisa ou situação financeira. Qualquer clube grande que se prepare mal para uma competição ou um jogo corre o risco de ser eliminado por uma zebra.
Que o diga o surpreendido da vez, o Manchester United.
Não tem mistério. Quando um time pequeno entra em um campeonato ele não pensa em ser campeão. A ideia é avançar fase por fase, até onde tiverem chance deles irem.
O Basel não entrou no grupo do Manchester United e Benfica pensando que se classificaria. Ele queria jogar no seu nível mais alto e se alguém desse uma brecha ele iria disputar uma vaga. Se jogasse bem e não conseguisse, paciência, afinal, ele é o time pequeno dessa história.
Eis que surge o Manchester United versão 2011/2012. Um time mal armado, em processo de reformulação, com jogadores longe de sua melhor forma e com sapato alto. Quer brecha melhor que essa?
O Manchester, já faz algum tempo, vem tentando reformular o seu elenco. Todo ano vende jogadores experientes e traz promessas.
É claro que essa formula corre o risco de dar errado.
Primeiro porque promessas ainda não são craques e não seguram o rojão de um Manchester United logo de cara. Os contratados desse ano ainda não renderam o que se esperava o que é natural na adaptação de jogadores, principalmente jovens.
Segundo é que a venda dos mais experientes vem acontecendo de uma forma que o elenco ficou com poucos jogadores realmente consagrados e de peso, aqueles que costumam chamar a pressão para si. E terceiro, esses poucos atletas se atravessarem uma fase ruim deixam o time sem base nenhuma.
O que aconteceu com o time inglês foi a junção desses 3 problemas.
O Manchester hoje é um time formado por jovens. O clube depende muito de atletas como Anderson, Nani e Chicharito. Eles tem qualidade? Sim. Mas são novos, não chegaram ao seu máximo e não são capazes ainda de conduzir um time do porte do Manchester.
Os jogadores de nome hoje no clube são o zagueiro Ferdinand, o meio campo Giggs e o atacante Rooney. Alguém vai lembrar do Vidic, Evra e outros, mas estou falando de atletas realmente diferenciados, que costumam liderar a equipe.
Ferdinand e Giggs já estão com uma idade avançada e não conseguem mais render o mesmo futebol de outros anos. 
Rooney vem há um tempo brigando com a instabilidade. Alterna bons e maus jogos e constantemente está envolvido em problemas extra-campo. Em um desses momentos difíceis chegou a ficar mais de um ano sem marcar gols pela seleção inglesa.
Ronney fez mais um jogo ruim na temporada contra o Basel
Resultado? O Manchester é uma equipe na qual os jogadores consagrados não rendem o que se espera e a pressão cai sobre as promessas. Os jovens não conseguem lidar com essa expectativa e ainda não conseguiram jogar no seu nível mais alto.
Ninguém rende o seu máximo individualmente e muito menos coletivamente.
O que o Basel tem a ver com essa história? Lembra que time pequeno fica esperando uma oportunidade de surpreender? O Basel achou a dele.
Antes do jogo entre as equipes o técnico do Manchester falou que era impossível o time inglês ser eliminado.
Era o último fator que faltava para caracterizar uma chance de ouro para o time suiço. O Basel ia enfrentar um clube gigante, sob pressão, com seus principais jogadores em má fase e que achava impossível ser eliminado para uma equipe menor.
O impossível aconteceu.
O duelo era Basel x Manchester. O Manchester precisava empatar na Suiça para se classificar. Perdeu e ficou fora.
O Basel esperou, quietinho, sem alarde e em um jogo certeiro fez história. Como manda o manual do time pequeno. 
Antes, já tinha empatado com o próprio Manchester na Inglaterra, mas pergunta se isso fez os suiços declarem que iam ganhar em casa? Óbvio que não.
Clube pequeno que se preze fica calado só observando o erro das grandes equipes.
Agora, o gigante e desorganizado Manchester United vai ficar vendo o impossível pela televisão.

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