Real Madrid, Vasco, Flamengo ou Boca. Não tem diferença de liga, país, camisa ou situação financeira. Qualquer clube grande que se prepare mal para uma competição ou um jogo corre o risco de ser eliminado por uma zebra.
Que o diga o surpreendido da vez, o Manchester United.
Não tem mistério. Quando um time pequeno entra em um campeonato ele não pensa em ser campeão. A ideia é avançar fase por fase, até onde tiverem chance deles irem.
O Basel não entrou no grupo do Manchester United e Benfica pensando que se classificaria. Ele queria jogar no seu nível mais alto e se alguém desse uma brecha ele iria disputar uma vaga. Se jogasse bem e não conseguisse, paciência, afinal, ele é o time pequeno dessa história.
Eis que surge o Manchester United versão 2011/2012. Um time mal armado, em processo de reformulação, com jogadores longe de sua melhor forma e com sapato alto. Quer brecha melhor que essa?
O Manchester, já faz algum tempo, vem tentando reformular o seu elenco. Todo ano vende jogadores experientes e traz promessas.
É claro que essa formula corre o risco de dar errado.
Primeiro porque promessas ainda não são craques e não seguram o rojão de um Manchester United logo de cara. Os contratados desse ano ainda não renderam o que se esperava o que é natural na adaptação de jogadores, principalmente jovens.
Segundo é que a venda dos mais experientes vem acontecendo de uma forma que o elenco ficou com poucos jogadores realmente consagrados e de peso, aqueles que costumam chamar a pressão para si. E terceiro, esses poucos atletas se atravessarem uma fase ruim deixam o time sem base nenhuma.
O que aconteceu com o time inglês foi a junção desses 3 problemas.
O Manchester hoje é um time formado por jovens. O clube depende muito de atletas como Anderson, Nani e Chicharito. Eles tem qualidade? Sim. Mas são novos, não chegaram ao seu máximo e não são capazes ainda de conduzir um time do porte do Manchester.
Os jogadores de nome hoje no clube são o zagueiro Ferdinand, o meio campo Giggs e o atacante Rooney. Alguém vai lembrar do Vidic, Evra e outros, mas estou falando de atletas realmente diferenciados, que costumam liderar a equipe.
Ferdinand e Giggs já estão com uma idade avançada e não conseguem mais render o mesmo futebol de outros anos.
Rooney vem há um tempo brigando com a instabilidade. Alterna bons e maus jogos e constantemente está envolvido em problemas extra-campo. Em um desses momentos difíceis chegou a ficar mais de um ano sem marcar gols pela seleção inglesa.
| Ronney fez mais um jogo ruim na temporada contra o Basel |
Resultado? O Manchester é uma equipe na qual os jogadores consagrados não rendem o que se espera e a pressão cai sobre as promessas. Os jovens não conseguem lidar com essa expectativa e ainda não conseguiram jogar no seu nível mais alto.
Ninguém rende o seu máximo individualmente e muito menos coletivamente.
O que o Basel tem a ver com essa história? Lembra que time pequeno fica esperando uma oportunidade de surpreender? O Basel achou a dele.
Antes do jogo entre as equipes o técnico do Manchester falou que era impossível o time inglês ser eliminado.
Era o último fator que faltava para caracterizar uma chance de ouro para o time suiço. O Basel ia enfrentar um clube gigante, sob pressão, com seus principais jogadores em má fase e que achava impossível ser eliminado para uma equipe menor.
O impossível aconteceu.
O duelo era Basel x Manchester. O Manchester precisava empatar na Suiça para se classificar. Perdeu e ficou fora.
O Basel esperou, quietinho, sem alarde e em um jogo certeiro fez história. Como manda o manual do time pequeno.
Antes, já tinha empatado com o próprio Manchester na Inglaterra, mas pergunta se isso fez os suiços declarem que iam ganhar em casa? Óbvio que não.
Clube pequeno que se preze fica calado só observando o erro das grandes equipes.
Agora, o gigante e desorganizado Manchester United vai ficar vendo o impossível pela televisão.
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