quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Tapando o sol com a peneira

A mala branca voltou. Demorou, mas final de Brasileirão sem mala branca não é final de Brasileirão. E como todo ano, o famoso incentivo financeiro extra gerou grande discussão: dar dinheiro a outra equipe ganhar um jogo é ético ou não?
O consenso é criticar a atitude. A maioria reclama sem nem refletir sobre o assunto, mas sim, porque alguém reclamou antes. Afinal, é mais fácil reproduzir uma ideia do que pensar por si próprio.
Já que o intuito é justamente fazer o contrário e propor debates, vamos lá, qual é o problema tão grande com a mala branca?  Falta de ética? Por quê?
Antes de entrar na questão específica do incentivo, vamos falar sobre essa suposta ética.
Durante o ano, em todos os jogos, um monte de jogador faz cera, cai no chão para sair de maca, os goleiros demoram para bater tiro de meta e diversas outras situações que são aceitas com, no máximo, umas críticas aqui e ali.
Chega no final do ano, surge a mala branca, e ela vira a doença do futebol. Convivemos com inúmeras situações “ antiéticas” que passam despercebido o ano inteiro, por que esse alarde todo no final do campeonato?
É engraçado, para não dizer trágico, como as pessoas reproduzem o que ouvem sem raciocinar. A mala branca é um absurdo da falta de ética, mas ter que colocar clássicos na última rodada é super normal, né?
Parem para pensar. Essa medida só tem que ser tomada porque  vários times entregam seus jogos por não terem mais objetivos dentro da competição. Isso não fere a ética do esporte? 
Resolver isso, colocando clássicos na última rodada, não soluciona o problema geral, só resolve uma questão específica. É tapar o sol com a peneira.
“ Agora nenhuma equipe vai facilitar jogo para o rival”.Por que facilitaria antes se o comportamento ético domina o futebol?
Nenhum time deveria, em hipótese nenhuma, entrar em campo sem jogar no seu limite. Não só por si, mas também por disputarem um campeonato que envolve outras equipes. Isso deveria ser a primeira preocupação dos defensores da ética.
Muita gente que não liga para essas situações exposta aqui, são críticos ferrenhos da mala branca. Por quê? Porque só repassam o que ouvem e leem na mídia.
Ah, mas essas outras atitudes estão dentro da ética do futebol. Então o esporte tem leis próprias, que permitem isso tudo, e só excluem a mala branca? Muito conveniente.
Sobre a questão específica do incentivo financeiro a situação é bem controversa. 

A mala branca não é nada mais do que uma motivação para uma equipe ganhar o seu jogo. O problema nessa história não é a mala branca e sim, o porque as equipes entram em campo sem vontade.
É essa a atitude que realmente interfere no andamento do campeonato e deve ser coibida. A mala branca é uma tentativa de fazer isso. Se é certa ou não é uma discussão válida, mas é só uma tentativa de solucionar um problema bem maior. 
Peguemos o exemplo do América-MG, que recebeu uma quantia do Cruzeiro para ganhar a partida contra o Atlético-PR. O América-MG não deveria precisar disso, mas como já está rebaixado não faria diferença para ele ganhar ou perder. 
É justo, dentro de um campeonato, o Cruzeiro ter seu destino alterado, pelo relaxamento de outra equipe? O problema não é oferecer mala branca, mas sim, o América-MG ter que aceitar para entrar em campo com disposição.
A atitude egoísta dos atletas, de não se esforçarem, é que deve ser combatida. 
O próprio Cruzeiro enfrentou o América-MG em uma situação diferente, quando os dois queriam ganhar. No final das contas, o Cruzeiro seria prejudicado pela tabela e pela falta de compromisso de um time, enquanto o Atlético-PR seria favorecido pelos mesmos fatores.
Não estou defendendo que se faça qualquer coisa para conseguir o objetivo, mas a única coisa que a mala branca faz é incentivar a vitória, o que seria desnecessário se existisse a tal ética como ela é defendida pelos críticos da mala branca.
Nesse caso, o clube que teria “sofrido” com esse ato seria o Atlético-PR.  O que ele poderia reclamar? “ A gente enfrentou o América-MG e eles se esforçaram para ganhar da gente?”


Se não gostou da mala branca, entre em campo e ganhe o jogo. Qual a diferença de se entrar em campo contra uma equipe que recebeu incentivo ou não?
A mala branca não faz mágica. Não faz ninguém aprender a jogar, ninguém passa a correr mais do que pode e nem ninguém entrega o jogo. 
O mal é outro. Se um dia, nenhuma equipe entrar em campo de corpo mole, a mala branca perderá o sentido e vai sumir naturalmente.
Quem ainda acha que é falta de ética, tudo bem, sem problemas, opinião cada um tem a sua. Agora, ficar criticando a mala branca e aguentar todo o resto calado é o problema.
Ou você vira um crítico, reclama de tudo que tem de “ errado” ou defende a “ essência” do futebol.
Pior do que defender uma ou outra é ficar em cima do muro e se deixar levar pelo que a maior parte imprensa fala.
Seja qual for, tenha uma opinião própria.

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