segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Para que descansar?

Depois da virada heróica de quarta todo mundo falou que o Vasco sentiria o cansaço contra o Botafogo. Se enganaram. Sabe por que? Porque o Vasco quer ser campeão de tudo. Quem quer ganhar de verdade não sente o mesmo cansaço dos que só disputam.
Ano passado, Real Madrid e Barcelona fizeram 3 jogos em 10 dias. Em nenhum deles teve jogador poupado. Os dois queriam ganhar todas as partidas. Jogaram no máximo sempre, assim como o Vasco vem fazendo.
É simples. Enquanto os clubes entrarem em duas competições priorizando uma delas, os jogadores não vão entender que devem querer ganhar tudo. Não é culpa deles, é a ordem dada. A ambição passa a ser diferente, a gana pela vitória também, e isso não é um interruptor que se liga e desliga alternando os campeonatos. Uma vez desligado, desligado está.
O Vasco não, pensou grande, como deve ser, e os jogadores entenderam. A torcida concordou. Se uniram e vão buscar mais duas conquistas. Podem vir as 2,  uma ou até nenhuma, mas, com certeza, o torcedor vascaíno vai acabar o ano orgulhoso.
Por isso os jogadores não sentem cansaço, a vontade é maior que tudo, como o torcedor gosta.
Confesso não ser fã do técnico Cristóvão. As vezes retranqueiro, demora para mexer e sempre com as mesmas substituições. Quando vi a escalação da equipe para hoje, sentenciei mais um erro. Time sem centroavante? Por que isso?
Queimei a língua. O que se viu no Engenhão foi um Vasco exemplar em campo. Se na quarta ganhou na raça, hoje ganhou na bola.
O Botafogo não foi de todo ruim. Tentou alguma coisa, mas não teve chance. O Vasco esteve bem demais, foi um daqueles jogos que se coloca no DVD do ano de 2011.
O time sem centroavante pode até ter perdido poder no ataque, mas sobrou no meio campo. O Botafogo tocava bola de um lado, tocava do outro, mas não conseguia sair do seu campo de defesa. Quando tentava avançar um pouco o Vasco roubava e encaixava o contra-ataque.
Assim fez o primeiro com Felipe Bastos. Assim perdeu chances claras com Éder Luís e Diego Souza. Assim foi criada a jogada do penalti perdido pelo camisa 10, ainda no primeiro tempo.
A etapa inicial acabou 1 a 0, mas podia ter sido 3 fácil. 
No segundo tempo, continuou a mesma coisa. O Botafogo tentava, mas esbarrava na brilhante atuação do Vasco. E o jogo ficou assim, com o Vasco mais perto do segundo do que o Botafogo do primeiro, até aos 14, quando o Dedé resolveu a partida.
O Botafogo saía no contra-ataque. Dedé roubou a bola, deu um lindo drible e armou a jogada tocando-a para Rômulo. O volante abriu para Felipe Bastos que com um cruzamento perfeito achou Dedé dentro da área. O zagueiro, e ídolo da torcida, testou com vontade e acabou com qualquer esperança de reação do adversário.
O Vasco diminuiu o ritmo, deixou o Botafogo tocar a bola na defesa, passando o tempo do jogo. Aos 31 Rômulo foi expulso, mas tudo continuou na mesma. O Botafogo trocava passes no seu campo e o Vasco marcava com perfeição. Quando o Botafogo tentava apertar, o Vasco tomava a bola.
Assim, dominado, o jogo acabou com uma aula cruzmaltina. O dois a zero ficou de bom tamanho para o Botafogo. A equipe do Vasco toda esteve em uma noite inspirada.
Jumar, Renato Silva e Rômulo não perdiam na marcação. Felipe Bastos apertava muito bem a saída de bola do Botafogo e aparecia na frente com perigo, fazendo inclusive o primeiro gol e o cruzamento para o segundo. Allan e Fágner ganhavam tudo no lado direito, infernizando a vida do Botafogo. Éder Luís pode não vir muito bem tecnicamente, mas correu muito sendo importante nos contra-ataques. Até Diego Souza, que foi o pior do time em campo, teve importância na marcação no campo do Botafogo. 
Sentiu falta de alguém? Felipe e Dedé merecem uma atenção especial.
Felipe sabe tudo de bola. Ele é íntimo dela. Quando ele quer jogar é o que se viu hoje. Um desfile de técnica, dribles e inteligência. Azar do Loco Abreu, que levou uma caneta no mínimo constrangedora.
Já Dedé não há palavras. De novo, melhor em campo. De novo gol, de novo dribles, de novo passes para colocar o companheiro na cara do gol e de novo ajudou a comandar o meio campo. 
Ele não é zagueiro? Sim, mas o papel dele como defensor deixei para o final. De novo desarmes limpos, de novo antecipações precisas e de novo tempo de bola espetacular. De novo jogo perfeito, de novo Dedé melhor em campo.
Felipe Bastos também merece destaque com uma partida bem acima da média, fazendo um belo gol e dando um excelente passe no segundo.
O Botafogo não chegou a ter muitos destaques negativos, apesar da inferioridade em campo. As peças foram bem anuladas. O maior problema do time é a marcação no lado do Cortês, ou melhor, a falta de marcação no lado do Cortês.
O Vasco pode até não ganhar o Brasileirão ou a Sul-Americana, futebol é assim mesmo, mas pergunta para a torcida do Vasco se esse time, para ela, já não é o campeão de 2011.

2 comentários:

  1. Não sou vascaíno, mas tenho que confessar que foi uma das melhores partidas feitas pelo Vasco no Brasileiro, dominou. E o Dedé não tenho palavras... Ótimo texto.

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  2. Grande Vasco. Apesar de ser Flamenguista, minha lucidez não permitirá que eu deixe de torcer para o único time carioca que tem reais chances de conquista de um dos mais competitivos campeonatos de futebol do globo.
    Acho que a campanha do Vasco não se dá apenas pela qualidade técnica da equipe, mas, sobretudo, pela motivação existente, notória para aqueles que acompanharam os percalços que o time teve de enfrentar durante a trajetória do Brasileirão.
    No meu ponto de vista, que o campeão seja um carioca, e o que merecer o pleito.

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